Bolsonaro mostra descaso com educação na rotatividade de ministros

Após indicação de Milton Ribeiro para o comando do Ministério da Educação, deputados do PCdoB afirmam que gestão Bolsonaro não tem compromisso com a educação brasileira e indicações “apequenam” MEC

O novo ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro - Reprodução/Facebook

Em um ano e meio de gestão, o pastor Milton Ribeiro é o quarto nome a passar pelo Ministério da Educação (MEC) de Bolsonaro. A indicação do pastor foi feita na última sexta-feira (10) e deu continuidade às polêmicas envolvendo os nomes ligados à Pasta nesta gestão.

Para os deputados do PCdoB, a indicação de Ribeiro é mais uma demonstração da falta de compromisso da gestão de Bolsonaro com a educação brasileira.

“Caminha-se para quatro anos perdidos na educação brasileira. Até agora, o compromisso do presidente não tem sido com currículo técnico ou defesa da educação pública, mas com a guerra ideológica. Lamentavelmente, isso acontece numa das Pastas mais importantes. Do jeito que vai, o Brasil será prejudicado e o MEC continua sendo apequenado”, afirmou a líder da bancada na Câmara, deputada Perpétua Almeida (AC).

O vice-líder da legenda, deputado Márcio Jerry (MA) também comentou a rotatividade de ministros e lamentou o descaso do governo de Jair Bolsonaro com a educação brasileira. “A balbúrdia governamental do Jair Bolsonaro no quarto ministro da Educação em 18 meses. Um ministro a cada quatro meses e meio. Isso mostra o nível de irresponsabilidade do governo com a educação”, definiu o parlamentar.

Embora Ribeiro tenha assumido a tarefa há apenas três dias, já são muitas as polêmicas envolvendo suas falas, desde que vídeos antigos – alguns apagados – começaram a vir à tona após sua nomeação. Ribeiro já defendeu, por exemplo, a adoção de “métodos severos” de aprendizagem.

“O que devemos esperar dessa gestão?”, indagou a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) ao repercutir a defesa de Ribeiro de educação de crianças “com dor”.

Além da crítica às posturas do novo ministro, Alice Portugal defende ainda que Ribeiro seja ouvido urgentemente pelo Parlamento. “Precisamos ouvi-lo já! Saber o que pensa sobre o Enem, o Fundeb, da infraestrutura das escolas, da autonomia dos IF’s, da escola pública, gratuita e laica, afinal, ainda, não somos uma teocracia”, apontou a parlamentar.

Ribeiro também já minimizou o feminicídio ao falar do assassinato de uma adolescente de 17 anos por um homem de 33 anos, no interior de uma escola do Rio Grande do Norte, em 2013, e demonstrou ter posicionamentos semelhantes ao do ex-ministro Abraham Weintraub.

“Nova temporada do pesadelo chamado Ministério da Educação”, afirmou a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) ao postar repercussão de Ribeiro sobre o assassinato da adolescente. Segundo o novo ministro foi a “paixão” que motivou o assassinato da jovem, minimizando o crescente número de casos de feminicídio no Brasil.

Em um vídeo publicado em novembro de 2018, Ribeiro disse que o existencialismo – filosofia que coloca o indivíduo como centro do pensamento – é algo que “estão ensinando na universidade” para incentivar uma “prática totalmente sem limites do sexo”. O vídeo foi retirado do ar no sábado (11).

Para o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), “o problema do MEC se chama Bolsonaro”. “Enquanto ele aí estiver, não haverá projeto educacional que pare em pé no Brasil. Afinal, no beija-mão que fez a Trump, ele assumiu que sua missão é destruir e não construir”, disse.

Liderança do PCdoB na Câmara com informações da assessoria do deputado Márcio Jerry.

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