Convocados para trabalho presencial, bancários temem coronavírus

Segundo o presidente licenciado do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, Banco do Brasil e Caixa vêm entrando em contato individualmente com os funcionários para as convocações.

Banco do Brasil - Foto: Marcelo Camargo/ABr

Convocados para retornar ao trabalho presencial, funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal estão com medo de contrair ou contaminar seus familiares com a Covid-19. Segundo o presidente licenciado do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, os dois bancos vêm entrando em contato individualmente com os funcionários para as convocações.

A Caixa vem convocando trabalhadores desde junho. O Banco do Brasil, por sua vez, realizou reunião por videoconferência nesta quarta-feira (22) com a Comissão de Empresa de Funcionários do BB (CEBB) e confirmou que foi uma “opção administrativa” a determinação de que “funcionário com autodeclaração de coabitação (com pessoas que fazem parte de grupos de risco da Covid-19) passa a se enquadrar nas formas de trabalho disponíveis, como os demais funcionários do banco que não pertençam ao grupo de risco, a partir de 27/07/2020”, segundo a Contraf-CUT.

O banco disse que não vai rever a medida, mas que o comunicado não implica na convocação de todos os funcionários que coabitam com pessoas de risco à Covid-19 para retomarem o trabalho presencial e que, se gestores assim o fizeram é por terem entendido errado a mensagem, ou por estarem necessitando de pessoal para realizar os trabalhos presenciais.

Ainda de acordo com a Contraf-CUT, representantes do Banco do Brasil disseram que fariam uma nova reunião com os gestores para deixar claro que a medida trata-se de opção administrativa do banco e não tem nenhuma relação com o ACT Emergencial Covid-19 e que além do trabalho presencial existem outras opções para que os funcionários cumpram seu expediente, inclusive a manutenção do home office.

Também fariam uma reunião para ver se há a possibilidade da emissão de um novo comunicado esclarecendo estes pontos e para verificar se existe a possibilidade de alteração, ou suspensão da data de retomada do trabalho presencial, sem se comprometer nem com a emissão de um novo comunicado, nem com a suspensão ou alteração da data, mas que tentaria realizar a reunião ainda nesta quarta para dar a resposta à representação dos funcionários o quanto antes.

Segundo o coordenador da CEBB, João Fukunaga, é o governo federal, como controlador do Banco do Brasil, que pressiona pela aplicação da Portaria Conjunta nº 20, de 18/06/2020, do Ministério da Economia/Secretaria Especial de Previdência e Trabalho e Ministério da Saúde, que altera a caracterização dos grupos de risco.

Situações extremas

“Estamos falando de situações extremas. Pessoas que moram com idosos que possuem comorbidades e doenças graves e que, se forem atingidas pela Covid-19, possuem um alto grau de risco. Mesmo assim, a insensatez tem feito com que inúmeros colegas em todo o país estejam sendo convocados a retornar ao trabalho”, comentou Augusto Vasconcelos, presidente licenciado do Sindicato dos Bancários da Bahia. Ele diz ainda que há casos de pais que não têm com quem deixar os filhos, uma vez que as aulas presenciais não voltaram.

Segundo Vasconcelos, apenas na Bahia 50 funcionários de agências bancárias já foram infectados pelo coronavírus, segundo levantamento. No entanto, de acordo com ele, o número pode ser maior, uma vez que há subnotificação. O Sindicato dos Bancários local entrou com uma representação no Ministério Público do Trabalho

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