Aritana, o grande cacique

Ao longo de sua trajetória, derrubou oponentes nas lutas e na vida; não resistiu ao Covid-19.

Silenciem as flautas, retirem as pinturas e adornos do corpo! O grande cacique Yawalapiti retornou a compor o cosmo.

Vindo de nobre legado do povo Yawalapiti por parte de pai  e Kamayurá por parte de mãe, antes de se tornar cacique, tornou-se grande campeão de Huka Huka ( luta tradicional ) guarda o feito de nunca ter perdido uma luta, proeza inalcançável até hoje pelos lutadores dos nove povos indígenas que compõe a região do alto Xingu.

Na década de 80 tornou-se cacique do seu povo: de fala serena, educada, homem de visão, falante das várias línguas indígenas que compõem o mosaico linguístico alto xinguano, conduziu com maestria o diálogo entre os povos indígenas, e principalmente, intermediou a demanda do mundo indígena com a sociedade não indígena.

Ao longo de sua trajetória, derrubou oponentes nas lutas e na vida; não resistiu ao Covid-19. Não há de ser essa derrota que modificará a imagem de força, altivez, serenidade, educação e inteligência do grande cacique, não mesmo!

Dar-se-á o rito do luto, a aldeia está silenciosa, e por um ano assim permanecerá. Nesse período não haverá alegria em respeito ao grande cacique.

Só então passados os 12 meses de luto, quando seu espírito retornará, ressurgindo e incorporado num “belíssimo tronco” para despedir-se de sua família e do seu povo.

 E assim, conforme a dinâmica da vida, tudo há de quase voltar ao normal. Quase.

Fonte: Facebook do autor

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