Sindicato quer quarentena de jogadores ou paralisação do Brasileirão

As três primeiras divisões do torneio já registram pelo menos 52 casos de Covid-19 entre jogadores com adiamentos frequentes de jogos já programados.

Jogadores do Grêmio entram em campo com máscaras como forma de protesto.

O Sindicato dos Atletas de São Paulo disse que poderá ir à Justiça para pedir a paralisação do campeonato brasileiro, caso o protocolo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não seja aperfeiçoado para garantir a segurança dos jogadores, comissão técnica e trabalhadores envolvidos nas partidas. Após os diversos problemas ocorridos na primeira rodada, o sindicato enviou ofício à CBF, no qual defende duas opções como solução para a realização do torneio.

A partir da orientação de seu médico consultor, Dr. Renato Anghinah, o Sindicato menciona a Alemanha como exemplo, que obrigava isolamento das equipes por até sete dias antes das partidas, com tempo para que os exames fossem feitos e os resultados, conhecidos. Outra ideia proposta pela entidade é seguir o protocolo da liga de basquete americana, a NBA, que isolou totalmente os jogadores e demais membros dos times, criando uma “bolha” em Orlando, nos Estados Unidos, para que a temporada pudesse ser finalizada.

No entendimento do sindicato, os times precisam ser isolados durante toda a disputa do Brasileirão já que, com o calendário apertado, as equipes estão disputando partidas a cada três dias, sem tempo hábil para testes precisos. A entidade lembra ainda que a logística para a realização do torneio nacional, com viagens e dificuldades geográficas, precisa ser considerada.

Diante da situação de insegurança, o Sindicato dos Atletas não descarta a possibilidade de acionar a Justiça. “Em caso de resposta negativa, para a entidade dos jogadores paulistas não restará alternativa a não ser o já conhecido caminho do judiciário”, afirma a entidade, em nota.

Protocolo falho

No documento à CBF, o sindicato menciona os casos que têm aparecido na imprensa envolvendo contágios de Covid-19 entre atletas de times de futebol, expondo fragilidade dos protocolos da entidade organizadora e protestos dos jogadores. É o caso do árbitro da Série B que viajou para apitar Ponte Preta x América e soube de teste positivo dentro do avião.

Com dois casos positivos em Manaus, o treinador Vila Nova disse que os jogadores já tinham tido o contágio antes, portanto teriam imunidade. Depois noticiou-se que o campeonato começou com 37 casos de Covid-19 em quatro jogos das Séries A, B e C, mas s CBF só adiou dois.

Dentre todas as menções, o sindicato considerou particularmente arriscado para os atletas profissionais e demais membros que compõem os times correm, o fato de quatro times da Série B serem considerados transmissores da covid-19 após jogo em AL e a constatação de 18 jogadores do CSA de Alagoas positivados.

As séries A, B e C do campeonato brasileiro, iniciadas no último sábado (8), já registram pelo menos 52 casos de covid-19 entre jogadores. Ao todo, três partidas foram suspensas pela CBF por causa do alto risco de contágio pelo novo coronavírus.

Um dos exemplos foi o São Paulo, que viajou até Goiânia e entrou em campo, no último domingo (9), para enfrentar o Goiás. Horas antes da partida, dos 26 exames realizados em jogadores do time da casas, 10 testaram positivo para o novo coronavírus, sendo oito titulares. O jogo foi suspenso.

Os casos mais recentes de contaminação aconteceram no Corinthians e no Atlético-GO. O clube paulista isolou os atletas, mas o time de Goiânia entrou com recurso na CBF para escalar os quatro jogadores que testaram positivo.

O clube justificou que os jogadores já foram contaminados anteriormente e, de acordo com o próprio protocolo elaborado pela entidade, não havia mais riscos de transmissão. Na manhã desta quarta-feira (12), a CBF aceitou a solicitação e liberou os jogadores para a partida contra o Flamengo.

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