É impossível conciliar auxílio e teto de gastos, afirma Dilma Rousseff

O custo do pagamento do auxílio emergencial é de R$ 50 bilhões mensais. Para se ter uma ideia, o custo do Bolsa Família é de R$ 32 bilhões ao ano, o que dá cerca de R$ 2,5 bilhões ao mês.

Dilma Rousseff - Reprodução do YouTube

A ex-presidenta Dilma Rousseff afirmou que “inexiste” a possibilidade de Jair Bolsonaro manter o auxílio emergencial, que lhe garantiu aumento de popularidade evidenciado em pesquisa do Datafolha divulgada nesta sexta-feira (14), e, ao mesmo tempo, preservar o teto de gastos. Na avaliação de Dilma, nos próximos dias o mundo político deve se movimentar em torno desse impasse. Ela disse ainda que há uma visão “simplória” de Bolsonaro como uma pessoa “tosca”.

“O que acho que estará [em pauta] é essa contradição da capacidade do Bolsonaro de manter os R$ 600. Essa capacidade inexiste na regra do teto de gastos. Não é possível. Não só porque o cobertor é curto, mas porque é muito dinheiro para furar o teto. Esse valor de R$ 30 bilhões [investimento que alguns ministros de Bolsonaro demandam para o programa de obras Pró-Brasil] é insignificante em um país como o Brasil. Agora, diante dos R$ 600 até o final do ano, não dá nem para o início.”

O custo do pagamento do auxílio emergencial é de R$ 50 bilhões mensais. Para se ter uma ideia, o custo do Bolsa Família é de R$ 32 bilhões ao ano, o que dá cerca de R$ 2,5 bilhões ao mês.

Dilma Rousseff deu as declarações sobre o tema em live da Semana de Economia da Unicamp. A ex-mandatária disse ainda que, caso Bolsonaro não consiga implementar um programa de transferência de renda que lhe garanta apoio, o “bom comportamento” do presidente deve acabar.

Dilma considera “interessante” que Bolsonaro tenha se apropriado da proposta de auxílio da oposição – o governo federal havia enviado ao Congresso um projeto de auxílio três vezes menor, de R$ 200 – pois ela bate de frente com a agenda de liberalismo econômico com que se elegeu.

Segundo ela, a enorme quantidade de pessoas que se viram desamparadas com a pandemia e, consequentemente, necessitaram do auxílio emergencial, reflete um desmonte trabalhista e da estrutura de proteção social que vem sendo implantado desde o governo de Michel Temer.

“Aumentaram, de um lado, a população mais frágil, e reduziram a margem de manobra para gastar com essa população [com o teto de gastos] . Hoje você precisa de auxílio emergencial muito maior, por que? Porque tem um aumento violento do precarizado, das pessoas que não têm com que viver.”

Sentimento popular

Ao mesmo tempo, a ex-presidenta destacou a habilidade de Bolsonaro em captar o sentimento popular e se comunicar com parcelas da sociedade. “Há uma visão um tanto simplória, do Bolsonaro como sendo uma pessoa tosca, apenas violenta, apenas fascista. Ele é uma liderança que busca, no campo da ultra direita, construir um projeto político muito claro”, comentou.

“Bolsonaro envelopou três questões: a questão da corrupção, da família e da segurança. [Disseram que] porque roubaram o Brasil a crise veio e as pessoas perderam suas riquezas. Deixaram as pessoas desprotegidas, inseguras e atingiram a base da família. Aquela família que é a família clássica, o homem, a mulher, explorando pautas antifeministas, anti-LGBT e enveloparam tudo dizendo: ‘É por isso que a sociedade é insegura, porque esses valores foram corroídos.’”

Segundo Dilma, o projeto de Bolsonaro envolve um segmento da igreja evangélica que “aderiu de unhas e dentes, porque tem um projeto de poder”. “Tem milhões de evangélicos que não têm essa visão do mundo e da vida [semelhante à de Bolsonaro]. Mas acredito que ela está encrustada em boa parte das massas populares desse país e nós não podemos simplesmente lavar as mãos e dizer que vai ficar assim mesmo. E [temos] o desafio da territorialidade, de sermos capazes de voltar às chamadas articulações de base, o que implica estar não no parlamento, mas na articulação, na organização”, disse.

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Um comentario para "É impossível conciliar auxílio e teto de gastos, afirma Dilma Rousseff"

  1. MURILO disse:

    NÃO É INCOMPATÍVEL NÃO ,ERA SÓ AUMENTAR IMPOSTOS PARA OS MAIS RICOS COMO LULA E SUA AMIGA RURALISTA KÁTIA ABREU QUE A SRA NÃO FEZ PROSPERAR.O DINHEIRO SOBRARIA PARA RENDA PERMANENTE PERENE.

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