Onde se mantém o platô de mortes por Covid-19 no Brasil?

Estados como São Paulo, com alto número de óbitos diários, há meses, contribuem para a manutenção do contágio, juntamente com outros 15 estados em plena ascensão ou estabilização de mortes. São 11 os estados que estão controlando a pandemia, a maioria no Norte e Nordeste.

A permanência do Brasil num alto patamar de mortes por Covid-19 depende do controle da pandmeia no Estado de São Paulo e de oito estados menores que receberam os impactos da doença tardiamente.

O platô de mortes alto no Brasil é mantido por estados que também estão estabilizados num alto pico de casos, como São Paulo (cerca de 250 mortes diárias) e Paraná (50 mortes a cada 24 horas), além de outros estados em plena ascensão com aceleração tardia da pandemia (meados de junho). Os estados em queda consistente, como o Rio de Janeiro (60 registros diários), não são suficientes para reduzir a curva nacional.

Este quadro é lamentável por naturalizar o quadro de pandemia no país. Os números se repetem no noticiário, assim como a convivência com a doença se mantém constante, sem nada que chame a atenção. As novidades no noticiário se expressam nos impactos econômicos drásticos da pandemia na vida da população, atrapalhando sua rotina e seus planos de futuro.

Na maioria dos países, a curva epidemiológica subiu de modo dramático até um pico de curta duração e começou a cair significativamente criando a sensação de que as medidas sanitárias estavam dando certo e permitindo o retorno gradual das atividades econômicas.  No Brasil, como as medidas sanitárias foram sabotadas pelo Governo Federal, que também atrapalhou o funcionamento das medidas de ajuda econômica, parece que nada deu certo, embora o que se conseguiu fazer tenha evitado um quadro muito pior de óbitos.

Desgaste econômico e social

Os oito estados paralisados em platô estão com dificuldades de sair do pico devido ao desgaste do isolamento social começado em março. Avalia-se que o uso de máscaras e um relativo isolamento mantido com escritórios de serviços e escolas fechadas, além da cadeia de entretenimento, esteja conseguindo evitar um crescimento pior nessas localidades.

Os oito estados que apresentam ascensão da curva tiveram avanço tardio da pandemia, ou seja, já haviam esgotado sua população com a quarentena num momento em que a doença era pouco presente nas cidades, gerando negacionismo. Com o avanço epidêmico para o interior do país, não tem sido possível fazer um isolamento mais rigoroso, devido a esse desgaste.

Estes estados com pandemia tardia, no entanto, têm a vantagem de garantir possibilidades melhores de isolamento social, devido às grandes amplitudes de território e baixa demografia. São cidades com pouco favelamento, residências amplas e poucas atividades com alta aglomeração humana. Isso, aliado à quarentena de escolas, serviços e entretenimento, deve contribuir para uma queda mais rápida da curva, se comparada a estados de grande concentração populacional e desigualdades extremas.

A boa notícia vem de quatro estados do Norte, quatro do Nordeste, dois do Sudeste e talvez o Rio Grande do Sul, que vinha crescendo vertiginosamente e começa a ter queda constante de casos há quase duas semanas.

A novidade é uma segunda onda de contágios no Amazonas. No Norte, Tocantins tem o contágio descontrolado, assim como no Nordeste a Bahia lota suas UTIs.

Se São Paulo começar a sair do platô que vem mantendo há meses, vai ter forte influência na curva nacional. O estado teve o epicentro da pandemia na capital, que vem diminuindo o contágio, enquanto grandes cidades do interior do estado estão com descontrole no contágio, resistindo ao isolamento social no pior momento de sua curva epidemiológica.

Ilustração elaborada por Cezar Xavier

Os números utilizados nos gráficos e ilustração são do levantamento do consórcio da imprensa. A média móvel de mortes é baseada no cálculo de média de óbitos dos últimos sete dias, para evitar variações bruscas. Confira abaixo a situação em cada estado:

Reproduzem a curva nacional

Sul:

O Paraná começou a ver o avanço de óbitos, tardiamente, em meados de junho. Começou a chegar ao pico em meados de julho, onde se mantém perto de 50 mortes por dia.

Sudeste:

São Paulo foi o primeiro estado a apresentar óbitos, com curva crescente desde a segunda quinzena de março. Chegou ao pico de 277 mortes na última semana de junho. No entanto, tem se mantido num platô de cerca de 250 mortes diárias, tendo atingido novo recorde de 289 óbitos ainda no início de agosto.

Centro-Oeste:

Pode-se dizer que o Mato Grosso mantém-se num platô de mais de 30 mortes diárias desde o início de julho, tendo chegado ao pico de 47 no meio daquele mês.

Norte:

Rondônia é outro estado que parece manter uma estabilidade de casos. Com número baixo de mortes, devido, também à sua baixa demografia, o estado amazônico teve crescimento pandêmico no início de maio. Chegou ao pico de 18 mortes no final de julho, depois de quase dois meses de platô de cerca de 10 mortes. O mês de agosto tem sido todo dentro desse platô de cerca de 10 óbitos.

Nordeste:

A Paraíba parece ter estacionado acima de 20 mortes, há cerca de 20 dias. Sua curva epidemiológica vem subindo desde o início de maio, com pico médio de 32 óbitos.

O Piauí está estabilizado num número relativamente baixo de óbitos, em torno de 17. Já chegou a ter média móvel de 28 mortes ainda no início de julho e vem caindo de modo irregular, desde então. Começou a lotar as UTIs de Natal em meados de maio.

O Rio Grande do Norte tem apenas uma semana com números mais baixos de mortes, em torno de doze por dia. Chegou a ter 42 no início de julho e tem caído de forma irregular, tendo registrado 102 mortes num único dia de agosto. Foi em meados de maio que a doença começou a se espalhar exponencialmente.

Em Sergipe, o quadro não é muito animador, parado que está em cerca de 18 mortes diárias há duas semanas. Os hospitais começaram a registrar mortes constantes já no início de maio., tendo chegado ao máximo de 28 na segunda quinzena de julho.

Em descontrole

Sul:

Santa Catarina repete o fenômeno sulista tardio, com pico de 55 mortes ainda na primeira quinzena de agosto, ainda sem expressar queda consistente, nem platô.

Sudeste:

Minas Gerais vem crescendo deste a segunda quinzena de maio. Chegou ao pico de 100 mortes ainda na segunda semana de agosto, mantendo-se num patamar de 80 mortes diárias deste então.

Centro-Oeste:

O Distrito Federal começou o surto de mortes ainda na primeira quinzena de maio, chegando ao pico de 38 mortes, recentemente, em meados de agosto.

Outro estado interiorano que só chegou ao pico (51 mortes) agora, em meados de agosto, foi Goiás. O estado tinha uma média de 3 mortes diárias mantidas até o início de junho, quando começou a curva ascendente.

O Mato Grosso do Sul segurou até 15 de junho uma taxa que oscilava entre uma e nenhuma morte desde a primeira morte no final de abril. O estado ainda não fechou um pico, tendo chegado ao máximo de 17 mortes diárias.

Norte:

O Amazonas começou uma curva vertiginosa ainda no início de abril, chegando ao pico de 66 sepulturas abertas diariamente no final da primeira semana de maio, colapsando o sistema funerário de Manaus. Passou duas semanas mantendo uma média diária de cerca de 10 mortes, tendo chegado a um mínimo de 6 mortes no final de julho. Desde então, começou uma nova onda de contágios, chegando agora a 18 óbitos diários com viés de crescimento.

O Tocantins parece não ter chegado ao pico, ainda. Demorou dois meses depois dos epicentros para começar a ver o crescimento da curva no início de maio. Chegou ao máximo de 10 óbitos nos últimos dias, mas não parece ter mudado de rumo.

Nordeste:

A Bahia vem crescendo lentamente, sem parar, desde o início de abril, com máximo de 65 óbitos, até agora.

Sob controle

Sul:

O Rio Grande do Sul começou a ter sua ascensão tardia em meados de junho. Chegou ao pico de 60 mortes no início de agosto e começa a fazer a curva para baixo chegando a menos de 50 mortes diárias. Resta saber se o quadro positivo é sustentável.

Sudeste:

O Espírito Santo começou sua subida ainda na segunda quinzena de abril, chegando ao pico de 43 mortes na segunda quinzena de junho, quando começou a cair consistentemente. Atualmente mantém um platô de duas semanas em cerca de 20 óbitos com viés de queda.

O Rio de Janeiro viu sua curva de mortes subir entre o final de março e início de abril, chegando ao pico de 210 mortes no comecinho de junho. Desde então, vem mantendo uma queda consistente, tendo chegado a pouco mais de 60 casos diários.

Norte:

O Acre começou a perder doentes de covid-19 na segunda quinzena de abril. Chegou a um máximo de 9 registros de óbitos no início de junho, mantendo queda oscilante, desde então. Tem mantido nos últimos dias média de 3 mortes diárias.

O Amapá chegou ao pico de nove mortes no início de junho. Desde então, mantém queda oscilante nos seus baixos números de letalidade.

O Pará percebeu o avanço de mortes na segunda quinzena de abril. O pico foi de 147 mortes na segunda quinzena de maio. Desde então, está em queda consistente, com cerca de 7 óbitos por dia.

Com sua população muito pequena e espalhada, Roraima parece viver uma queda na curva de óbitos. As mortes por Covid-19 começaram a aumentar no início de maio, chegaram ao pico médio de 13 mortes no início de julho e caiu a cerca de três óbitos nos últimos dias.

Nordeste:

O impacto da pandemia começou em meados de abril em Alagoas. Chegou ao pico de 23 mortes na primeira semana de junho, quando começou a trajetória de queda, mantendo-se atualmente em 11 mortes diárias.

O Ceará vem tendo crescimento de casos desde o início de abril, chegando ao pico de 154 mortes diárias ainda no início de junho. Desde então, vem controlando consistentemente a epidemia, chegando a 22 registros diários.

O Maranhão também vem mantendo queda depois de um platô de quase 40 mortes diárias de meados de junho até meados de julho. De um mês pra cá, vem caindo, tendo chegado a 14 óbitos diários.

Pernambuco chegou rapidamente ao pico de quase cem mortes diárias, em meados de maio. Já são três meses de quedas contínuas, tendo chegado à média móvel de 35 mortes diárias, recentemente.

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