Lula denuncia Bolsonaro: “Entregues a governo que banaliza a morte”

No Dia da Independência do Brasil, Lula lembrou em pronunciamento que conceito de soberania vai além do patriotismo de fachada exibido por Jair Bolsonaro, que bate continência à bandeira dos Estados Unidos.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto André Lucas/The Guardian

Em pronunciamento histórico neste 7 de setembro (veja vídeo com a íntegra no fim da matéria), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciou a irresponsabilidade do governo Bolsonaro em meio à crise sanitária, econômica, política e social que o país atravessa.

No Dia da Independência do Brasil, Lula lembrou que o conceito de soberania vai além do patriotismo de fachada exibido por Jair Bolsonaro, que bate continência à bandeira dos Estados Unidos. “A garantia da soberania nacional não se resume à importantíssima missão de resguardar nossas fronteiras terrestres e marítimas e nosso espaço aéreo. Supõe também defender nosso povo, nossas riquezas minerais, cuidar das nossas florestas, nossos rios, nossa água”, disse.

O ex-presidente falou da triste situação vivida em meio à pandemia da Covid-19. “Mais de duzentos milhões de brasileiras e brasileiros acordam, todos os dias, sem saber se seus parentes, amigos ou eles próprios estarão saudáveis e vivos à noite. Na maior e mais rica cidade do país [São Paulo], as mortes pelo Covid-19 são 60% mais altas entre pretos e pardos da periferia”, lamentou o ex-presidente.

Lula disse ainda que o governo Bolsonaro trata com desdém as vítimas da doença. “Cada um desses mortos que o governo federal trata com desdém tinha nome, sobrenome, endereço. Tinha pai, mãe, irmão, filho, marido, esposa, amigos. Dói saber que dezenas de milhares de brasileiras e brasileiros não puderam se despedir de seus entes queridos. Eu sei o que é essa dor”, declarou. Para o ex-presidente, o país está entregue “a um governo que não dá valor à vida e banaliza a morte”.

Desmonte do Estado

O ex-presidente falou também sobre a questão econômica, desmonte do Estado e da intensificação das desigualdades e mazelas sociais durante a pandemia. Segundo ele, os governos posteriores ao golpe de 2016, que destituiu a ex-presidenta Dilma Rousseff, congelaram recursos e sucatearam o sistema público de saúde.

“O colapso só não foi ainda maior graças aos heróis anônimos, trabalhadoras e trabalhadores do sistema de saúde. Os recursos que poderiam estar sendo usados para salvar vidas foram destinados a pagar juros ao sistema financeiro” afirmou Lula, que fez referência a um saque das reservas do país.

“O Conselho Monetário Nacional acaba de anunciar que vai sacar mais de R$ 300 bilhões dos lucros das reservas que nossos governos deixaram. Seria compreensível se essa fortuna fosse destinada a socorrer o trabalhador desempregado ou a manter o auxílio emergencial de 600 reais enquanto durar a pandemia. Mas isso não passa pela cabeça dos economistas do governo. Eles já anunciaram que esse dinheiro vai ser usado para pagar os juros da dívida”, declarou.

Para o petista “é inaceitável que 10% da população vivam à custa da miséria de 90% do povo”. Jamais haverá crescimento e paz social em nosso país enquanto a riqueza produzida por todos for parar nas contas bancárias de meia dúzia de privilegiados”, disse.

Veja o vídeo com o pronunciamento:

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