De Olho no Mundo, por Ana Prestes

A cientista política Ana Prestes analisa os principais acontecimentos internacionais do dia, com destaque para o primeiro debate entre Biden e Trump, que ocorrerá nesta terça-feira (29). São destaques ainda o discurso agressivo do premiê israelense na ONU, a marca de um milhão de mortes provocadas pela Covid-19, a guerra entre Azerbaijão e Armênia, os 20 anos da Intifada Palestina e as eleições na Bolívia e Equardor.

Nesta terça-feira (29) ocorrerá opri meiro debate entre Trump e Biden na corrida presidencial deste ano nos EUA. O encontro será às 22h pelo horário de Brasília, em Cleveland, Ohio, em formato presencial com duração de uma hora e meia. O debate será dividido em seis blocos temáticos de 15 minutos: Suprema Corte; pandemia; economia; protestos antirracistas/contra violência policial; integridade do processo eleitoral e biografia.

A 75ª Assembleia Geral da ONU ainda está ocorrendo e um dos últimos discursos foi do premiê israelense Benjamin Netanyahu. Ele usou seu tempo para, entre outras coisas, atacar o Hezbollah. Com uma tela aberta com a imagem do mapa da cidade de Beirute, ele aponta para um bairro da cidade, Janah, e diz: “aqui é onde a próxima explosão pode ocorrer. É bem perto do aeroporto internacional. E aqui é onde o Hezbollah está mantendo um depósito secreto de armas.” Ele ainda chamou as demandas palestinas de “completamente irreais” e que os palestinos por décadas estão impedindo a aproximação entre Israel e os países árabes, mas que agora, com a ajuda de Trump, dois países árabes resolveram fazer paz com Israel e que outros mais virão. Também atacou o Irã como o maior inimigo da paz no Oriente Médio. Enquanto seu discurso era projetado e com total cobertura da mídia nacional, protestos eram duramente reprimidos nas ruas de Tel Aviv. A fala de Netanyahu foi um completo afronta à qualquer possibilidade de busca de paz no Oriente Médio, como já era de se esperar.

O mundo chegou a 1 milhão de mortes por coronavírus, segundo a Universidade Johns Hopkins. EUA e Brasil lideram o ranking. A velocidade do avanço das mortes também impressiona, as primeiras 500 mil foram em seis meses desde o surgimento do vírus e as últimas 100 mil em apenas duas semanas. O primeiro alerta para a Covid-19 foi dado pela OMS no dia 31 de dezembro de 2019. Em março de 2020, os presidentes Trump e Bolsonaro estiveram juntos em Mar-a-Lago na Flórida e ambos desdenharam publicamente do vírus. Havia tempo suficiente para os dois grandes países das Américas se prepararem e protegerem suas populações.

A guerra do Azerbaijão contra a Armênia entrou em seu terceiro dia. O chanceler russo, Sergei Lavrov tem sido um dos mais ativos em tentar um cessar fogo. Em entrevista à imprensa, o porta voz da chancelaria russa, Dmitry Peskov disse que o conflito é de “alta preocupação”, que o presidente Putin já teria falado com o premiê armênio e falaria com o presidente do Azerbaijão, e que estaria em contato também com as autoridades da Turquia. Nas últimas horas ficou mais clara também a participação da Turquia, inclusive com a mobilização de jihadistas sírios para combater do lado do Azerbaijão. O presidente turco Erdogan, chegou a dizer ontem (28) em um discurso em Istambul que a Armênia precisa desocupar imediatamente território Azerbaijão na região de Nagorno-Karabakh.

Os EUA ameaçaram fechar sua embaixada e retirar todos os seus diplomatas do Iraque. A ação é vista como uma escalada no confronto contra o Irã. Palco do assassinato do general iraniano Soleimani em janeiro de 2020, o Iraque pode se tornar palco de um ataque dos EUA ao Irã. É bom lembrar que os americanos possuem tropas no Iraque, com um contingente de aproximadamente 5 mil militares. A ameaça de retirada dos diplomatas veio por parte de Mike Pompeo através de uma chamada telefônica feita ao presidente iraquiano Barham Salih, segundo fontes do governo iraquiano a jornalistas da Al Jazeera.

No Equador, segue a expectativa em relação à decisão do Conselho Nacional Eleitoral sobre a habilitação da chapa Arauz-Rabascall que substitui a chapa Arauz-Correa para a corrida presidencial. A novidade de ontem para hoje foi que um diretor jurídico do CNE apresentou sua renúncia. Após quatro meses na função de assessor jurídico, Danilo Zurita, informou via carta que deixaria o órgão eleitoral. A renúncia ocorre justamente na semana definidora para a fase de inscrições das candidaturas para as eleições presidenciais de 2021. Na carta ele alega “motivos pessoais” para sair.

Na Bolívia, a menos de um mês das eleições presidenciais, renunciaram três ministros do governo de fato de Añez. Os ministros da Economia, Óscar Ortiz, do Trabalho e Emprego e Previdência Social, Óscar Céspedes, e do Desenvolvimento Produtivo, Abel Martínez. As demissões estariam relacionadas à assinatura de um decreto de privatização da Elfec – Empresa de Luz e Força Elétrica de Cochabamba. A empresa havia sido nacionalizada no governo Evo Morales, em 2010. A iniciativa de privatização vem do ministro do Interior, espécie de primeiro ministro ou “ministro forte” de Añez, Arturo Murillo, que anunciou querer fazer “justiça” aos empresários que tinham ações na empresa antes da nacionalização. O procurador geral da República José Maria Cabrera foi um dos que apontou irregularidades na privatização e foi destituído de seu cargo em seguida.

Foi relembrada ontem (28) a passagem dos 20 anos da segunda Intifada palestina, iniciada em setembro de 2000 e que é um marco da resistência à ocupação militar e colonização da Palestina por Israel. A Intifada (levante) durou quase cinco anos e, segundo dados noticiados no diário israelense Haaretz, de 28 de setembro de 2000 a 8 de fevereiro de 2005, morreram 1038 israelenses e 3189 palestinos. Além disso, 4100 lares palestinos foram destruídos e cerca de 6000 pessoas foram presas. Essas informações e mais uma análise sobre o tema estão na coluna de Moara Crivelente, no Portal Vermelho.

No Dia de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto na América Latina e Caribe, ontem (28), o presidente argentino Alberto Fernández se comprometeu uma vez mais a atuar pela legalização do aborto no país. Segundo ele, em sua conta no Twitter, “a penalização do aborto fracassou como política. Mulheres morrem por abortos clandestinos e outras sofrem graves sequelas em sua saúde”.

Segundo a juíza Vanessa Baraitser, responsável pelo julgamento do pedido de extradição de Julian Assange, pelos EUA, a decisão final só virá após a eleição presidencial norte-americana de 3 de novembro. O acusador de Assange é o governo dos EUA e a depender do novo governo eleito o entendimento do acusador pode mudar, foi argumentado pelo advogado de Assange, Edward Fitzgerald, no pedido de adiamento que fez à juíza. (infos BdF)

A organização Anistia Internacional comunicou que vai deixar sua atuação na Índia, após bloqueio de suas contas bancárias pelo governo e uma série de impedimentos criados para a atuação da entidade desde 2018.

Os planos de Trump para barrar o TikTok no país tiveram um novo revés. Um juiz federal determinou a suspensão da ordem executiva da Casa Branca que determinava o fim das atividades da rede social. São mais de 100 milhões de usuários do aplicativo nos EUA. O governo Trump acusa a empresa de atuar como serviço de espionagem para o governo chinês e tenta impor a venda do controle da empresa nos EUA para um operador norte-americano. Os mesmos ataques sinofóbicos de Trump estão sendo feitos contra outro aplicativo, o WeChat.

Morreu, aos 91 anos, o emir do Kuwait, Sheikh Sabah. Ele estava internado nos EUA. Sabah foi por 40 anos ministro das relações exteriores do Kuwait (1963 – 2003), e então assumiu o governo de um dos países mais ricos em petróleo no mundo. Estreito aliado dos EUA, principalmente após a Guerra do Golfo dos anos 90, o monarca é parte de uma família que dirige o Kuwait há 250 anos.

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