Chega à Venezuela primeiro lote da vacina russa para testes clínicos

A Venezuela se tornou o primeiro país da América Latina a iniciar os ensaios clínicos da vacina Sputnik V após seu registro na Rússia, com 2.000 participantes no ensaio.

Primeiro lote da vacina Sputnik V chega à Venezuela.

O Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) anuncia a entrega do primeiro lote da vacina russa contra o coronavírus, Sputnik V, para a República Bolivariana da Venezuela. A vacina Sputnik V é baseada em uma plataforma de vetores adenovirais humanos que, segundo os cientistas russos, é a única no mundo que tem segurança e eficácia comprovadas em longo prazo.

A vacinação de voluntários na Venezuela começará nos próximos dias como parte de testes clínicos duplo-cegos, randomizados e controlados por placebo da vacina Sputnik V.

De acordo com Kirill Dmitriev, CEO do Russian Direct Investment Fund, a Venezuela é o primeiro país da América Latina a participar de testes clínicos estrangeiros da vacina Sputnik V com 2.000 participantes no ensaio. Os testes já estão em andamento na Bielo-Rússia, com mais deles planejados em vários outros países, incluindo Brasil, Índia e Emirados Árabes Unidos.

“Enquanto outros produtores de vacinas usam abordagens novas e menos estudadas, a saber, adenovírus de macaco e mRNA, e enfrentam obstáculos em testes clínicos, o Sputnik V mostra confiança e demanda crescentes em muitas regiões, incluindo a América Latina. A vacina vai ajudar o povo da Venezuela na luta contra o coronavírus e estamos prontos para apoiar outros parceiros da região”, disse o russo.

Chegada histórica da vacina Sputnik V em Caracas

Vacina segura

Em 11 de agosto, a vacina Sputnik V desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia de Gamaleya foi registrada pelo Ministério da Saúde da Rússia e se tornou a primeira vacina registrada do mundo contra Covid-19 com base na plataforma de vetores adenovirais humanos.

Em 4 de setembro, um artigo de pesquisa sobre os resultados dos testes clínicos de Fase I e Fase II da vacina Sputnik V foi publicado no The Lancet, uma das principais revistas médicas internacionais. Os ensaios clínicos pós-registro da vacina Sputnik V envolvendo 40.000 voluntários estão atualmente em andamento. Mais de 60.000 voluntários se inscreveram para participar de testes pós-registro. Os primeiros resultados desses testes devem ser publicados em outubro-novembro de 2020.

Os cientistas russos envolvidos defendem que a vacina baseada em adenovirais humanos é mais segura que outras, devido à larga experiência já existente neste tipo. Vacinas baseadas em adenovírus de macacos e mRNA são experimentais e podem ser uma inovação importante para o futuro, mas sem comprovação imediata. Além disso, os russos usaram adenovírus 5 e 26, um espectro de mutações do novo coronavírus que permite garantir mais tempo de imunidade, enquanto outras vacinas usaram apenas o adenovírus 5 ou o 26.

A RDIF recebeu pedidos de mais de 1,2 bilhão de doses da vacina Sputnik V para 2020-2021. Mais de 50 países no Oriente Médio, Ásia, América Latina, Europa e CIS solicitaram o Sputnik V. RDIF já anunciou acordos de fornecimento com México por 32 milhões de doses; com o Brasil por até 50 milhões de doses; Índia – 100 milhões de doses; Uzbequistão – para até 35 milhões de doses; Nepal – 25 milhões de doses.

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