FMI prevê aumento da pobreza e propõe taxar os mais ricos

” Governos devem considerar aumentar impostos sobre indivíduos mais afluentes e aqueles relativamente menos afetados pela crise”, diz organismo em relatório.

FMI alerta para aumento da extrema pobreza no pós-pandemia - José Cícero da Silva/Agência Pública

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu aumentar a progressividade dos impostos a fim de combater o envidamento dos governos e garantir recursos para combater a crise sem precedentes em razão da pandemia do novo coronavírus. Um sistema tributário é considerado progressivo quando aqueles que têm mais riquezas contribuem com mais.

A recomendação do FMI está no relatório World Economic Outlook, divulgado nesta terça-feira (13). No documento, o organismo internacional melhora a projeção para o desempenho da economia mundial em 2020, para contração de 4,4% em comparação com 5,2% em junho.

No entanto, alerta para o crescimento da pobreza extrema e da desigualdade no pós-pandemia e da necessidade da continuidade das políticas adotadas para a vida e a renda das famílias.

“Com muitos trabalhadores ainda desempregados, pequenas empresas lutando e de 80 a 90 milhões de pessoas propensas a cair na extrema pobreza em 2020 como resultado da pandemia – mesmo depois de receberem assistência social adicional – é muito cedo para que os governos retirem o apoio excepcional. No entanto, muitos países precisarão fazer mais com menos, devido a margens orçamentárias cada vez mais estreitas”, afirma o FMI.

Para solucionar o problema desas restrições orçamentárias é que o organismo defende a necessidade de uma carga tributária mais progressiva, ou seja, taxação dos mais ricos. O FMI também defende a redução de incentivos fiscais para as empresas.

“Governos com elevado endividamento precisarão considerar opções para aumentar receitas e diminuir gradualmente as despesas no médio prazo”, diz o organismo no relatório.

“Embora instituir novas medidas do lado da receita possa ser difícil, os governos devem considerar aumentar impostos progressivos sobre indivíduos mais afluentes e aqueles relativamente menos afetados pela crise (incluindo aumento de taxas para faixas de renda mais altas, propriedades de luxo, ganhos de capital, e fortunas), bem como mudanças na tributação corporativa para garantir que empresas paguem impostos proporcionais”, acrescenta o FMI.

Segundo o fundo, “no futuro, os governos provavelmente precisarão aumentar a progressividade de seus impostos, garantindo, ao mesmo tempo, que as empresas paguem sua parcela justa de impostos, junto com eliminação de gastos desnecessários”.

No Brasil, o sistema tributário é conhecido por sua regressividade, ou seja, quem está na base da pirâmide arca com um peso maior. Isso acontece principalmente porque a maior parte da carga tributária incide sobre o consumo, enquanto a tributação sobre a renda deixa a desejar.

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