Excluir a China encareceria 5G, afirma presidente da Huawei Brasil

Sun Baocheng afirmou ainda que banir a Huawei do leilão da 5G enviaria uma mensagem ruim aos investidores estrangeiros.

Sun Baocheng, presidente da Huawei Brasil - Foto: LinkedIn

Em entrevista publicada nesta segunda-feira (19) pelo jornal Folha de S.Paulo o presidente da Huawei no Brasil, Sun Baocheng, disse que a exclusão da gigante chinesa do fornecimento de equipamentos para as redes de 5G no Brasil poderia encarecer o serviço. Afirmou ainda que eventual decisão nesse sentido enviaria um sinal ruim a investidores estrangeiros, uma vez que o país sempre foi um mercado livre.

Jair Bolsonaro avalia deixar a Huawei de fora do leilão da 5G no ano que vem devido ao seu alinhamento ideológico e subserviência ao governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na última semana, a agência de notícias Bloomberg publicou que o governo brasileiro minimiza a possibilidade de retaliação da China por considerá-la dependente dos produtos agrícolas brasileiros.

Atualmente, no entanto, a Huawei é a fornecedora preferida das operadoras brasileiras. Segundo Baocheng, a operadora tem de 40% a 50% de participação no setor de comunicações. Sem a empresa, as operadoras locais teriam de trocar seus equipamentos para compatibilizá-los com a 5G dos concorrentes, o que tornaria a evolução dessa tecnologia no Brasil mais lenta e mais cara.

“Primeiro, só gostaria de lembrar que será um leilão que a Anatel vai fazer e os operadores vão participar. A Huawei não participa diretamente. Além disso, hoje uma operadora já pode usar as redes existentes para fazer upgrade de 4G para 5G com [atualização] de software. No ano que vem, vai fazer leilão para frequências novas e os operadores vão participar. O banimento da Huawei terá pontos negativos”, explicou na entrevista.

Segundo ele, as consequências de um eventual banimento serão a demora da transformação digital no Brasil, aumento do custo para as operadoras e, como consequência, aumento do custo para os consumidores.

“Acho que um mercado livre sem discriminação não é só importante para a Huawei, mas também para outras empresas estrangeiras. Por isso há tantas empresas com vontade de investir no Brasil”, afirmou ainda o presidente.

Ele disse que os ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, à gigante asiática parecem ideológicos, mas, na verdade, existem razões práticas por trás deles. “Parece que é uma disputa geográfica ou ideológica mas, na verdade, é um ataque contra as empresas de alta tecnologia, inclusive contra as chinesas. Os EUA são um país muito prático. No passado, tentaram ganhar da Alstom, atacaram a brasileira Engesa, e agora estão tentando com a Huawei. No futuro, qual será a próxima empresa?”, questionou.

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