Empresa ligada ao BTG possui maior passivo em multas no Pantanal

Segundo histórico de multas do Ibama nos últimos 25 anos, a empresa BRPec ligada ao BTG Pactual é a que mais devastou o Pantanal.

Estudo mostra que pecuária ocupa 40% das terras de Mato Grosso - Reprodução

A empresa de agropecuária BRPec acumula o maior valor em multas por devastação do Pantanal nos últimos 25 anos. Conforme a pesquisa do De Olho nos Ruralistas, a empresa que tem ligações com o BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, foi a que mais destruiu o bioma.

A pesquisa analisou o histórico de multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em sete municípios do Mato Grosso e nove localizados no Mato Grosso do Sul.

As multas por devastação da flora são estipuladas de acordo com a área de vegetação destruída. A BRPec é a única que acumula valores superiores a R$ 50 milhões em penalização. Em 12 de maio de 2018, recebeu uma multa de R$ 57.999.500 em Corumbá, maior município do Mato Grosso do Sul, na fronteira com Bolívia e Paraguai, e uma das capitais da pecuária no Brasil.

A principal atividade da BRPec é a pecuária. A parceria com o banco BTG Pactual não é transparente nos documentos oficiais da empresa, porém a ligação da empresa com o banco já foi citada até em processos judiciais.

Além disso, o conselheiro de administração Marcelo Del Nero Fiorellini e o diretor Marco Antonio Guimarães Vianna Filho, ambos no quadro de sócios da BRPec, possuem cargos no BTG. A relação se estende a outros sócios e funcionários do banco que já participaram da direção da empresa de pecuária. Inclusive algumas assembleias da BRPec foram promovidas na sede do BTG. 

Segunda a revista Forbes, André Esteves está na lista dos dez maiores bilionários brasileiros. A fortuna do banqueiro totaliza R$ 24,96 bilhões, 430 vezes maior que a multa recebida pela BRPec por devastação no Pantanal em 2018.

Notas da BTG Pactual e BRPec

O BTG Pactual se manifestou por meio da assessoria de imprensa:

“O BTG Pactual informa que a BRPec é uma empresa controlada por um fundo gerido pelo banco e pratica as melhores e mais modernas técnicas de manejo sustentável de suas fazendas, com o objetivo de manter o equilíbrio e o manejo correto das pastagens, dos rebanhos e dos recursos naturais”. 

A BRPec afirmou que as ações foram autorizadas e recorreu a multa:

“As atividades de limpeza de pasto realizadas na área foram autorizadas pelo órgão ambiental estadual competente pelo licenciamento ambiental no estado do Mato Grosso do Sul (Imasul). (…) Em consequência o próprio Ibama desembargou praticamente toda área em questão. Atualmente, a empresa aguarda a decisão final do Ibama em relação ao tema.”

Confira a reportagem na íntegra no portal De olho nos ruralistas.

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