Bolívia: Justiça suspende ordem de detenção contra Evo Morales

Juiz Jorge Quino declarou que direitos de ex-presidente “foram desrespeitados, basicamente o direito à defesa”

Evo Morales

A Justiça boliviana suspendeu, nesta segunda-feira (26), a ordem de detenção emitida pelo governo golpista de Jeanine Áñez contra o ex-presidente Evo Morales. O anúncio da anulação, feito pelo juiz Jorge Quino à emissora Unitel, ocorre uma semana após a contundente vitória de Luis Arce na eleição presidencial do país sul-americano.

“A ordem contra o ex-presidente, exilado na Argentina, foi suspensa”, declarou Quino, que preside o Tribunal Departamental de Justiça de La Paz. “Seus direitos foram desrespeitados, basicamente o direito à defesa, pois o ex-presidente não foi devidamente convocado”, detalhou o juiz.

Ao chegar ao poder por meio de um golpe de Estado, o governo de Jeanine Áñez forjou mais de 30 processos contra Evo por supostos crimes de terrorismo. O próprio Arce também responde a cinco processos. A ofensiva golpista contra Evo esses aliados foi chamado pela organização Human Rights Watch de “perseguição judicial” contra dirigentes do antigo governo e do seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS).

Ainda nesta segunda, o ex-presidente disse que se preparava para retornar à Bolívia, após um ano no exílio. Evo descartou qualquer participação no governo e garantiu que se dedicará à atividade sindical e à piscicultura. Segundo ele, a Confederação Única dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia decidirá o dia do seu retorno.

“Há colegas que me pedem para ir à posse e fico muito grato. O irmão [presidente da Argentina] Alberto Fernández, tão solidário, tão humano, se ofereceu para me levar à Bolívia”, disse Evo. “No entanto, os movimentos sociais estão discutindo e vão decidir. Me pedem que volte no dia 11 de novembro porque saí no dia 11 de novembro. É muito simbólico, mas, repito, não está definido – eles vão decidir.”

Evo afirmou que vai morar na região de Cochambamba, a fim de retomar o ativismo sindical que ele iniciou na década de 1980 – e manteve até chegar à Presidência, em 2006. Quando questionado se teria papel no governo de Arce, respondeu de forma enfática: “Não, de forma alguma. Vou continuar como dirigente sindical enquanto me permitirem. Pessoalmente, vou me dedicar à agricultura. Estou fazendo reuniões por telefone para ter tanques para criação de peixes. O tambaqui está na moda.”

Nas eleições gerais, Arce teve 55,1% dos votos, e Carlos Mesa, da aliança Comunidade Cidadã, conseguiu 28,83%. O MAS também fez a maioria na Assembleia Legislativa Plurinacional, tanto no Senado (onde conquistou 21 das 36 cadeiras) quanto na Câmara de Deputados (com 73 dos 130 assentos). A Comunidade Cidadã, segunda força política do país, elegeu 11 senadores e 41 deputados.

Da Redação, com agências

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