“Mãe de leite negra”: Orlando Silva acusa Russomanno de fala racista

“Nada me revolta mais, como negro, do que essa afirmação abjeta sobre as amas de leite”, afirmou Orlando

O candidato a prefeito de São Paulo Orlando Silva (PCdoB) acusou seu concorrente de Celso Russomanno (Republicanos) de ter transformado uma sabatina da Folha de S.Paulo e do UOL em uma “enciclopédia do racismo”. Na entrevista conjunta aos dois veículos, Russomanno – que é apoiado pelo presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro – negou ser racista pelo fato de, supostamente, ter sido criado por uma “mãe de leite negra” e por já ter tido uma mulher negra como namorada.

“Não vou polarizar essa questão. Fui criado por uma mãe de leite, negra. Sou uma pessoa que não vejo diferença entre os negros e os brancos”, declarou o candidato, na sabatina, ao ser questionado sobre o motivo para ter repudiado ação da gestão Bruno Covas (PSDB) no Dia da Consciência Negra. “Tenho grandes amigos que são negros. E tive namorada, inclusive. Não tenho problema nenhum com isso. Agora, a prefeitura não pode fazer uma campanha e não dizer para população o que é que ela está fazendo”.

Para Orlando Silva, a fala de Russomanno foi repugnante. “É difícil pensar em algo mais violento que a vida das escravizadas submetidas à condição de amas de leite – estupradas e obrigadas a ter filhos permanentemente, separadas deles com violência, compradas, vendidas, alugadas para cumprir esta função que as brancas rejeitavam”, disse.

Segundo o candidato do PCdoB, a entrevista é marcada pelas expressões “clássicas do racismo”, como “tenho até amigos negros” e “até namorei negras”. Na semana passada, Russomanno chamou de “vandalismo” a ação da Prefeitura de São Paulo que levou aos semáforos imagens de punhos fechados – um dos símbolos do movimento negro.

Orlando repudiou a declaração do candidato bolsonarista, mas disse ter ficado ainda mais incomodado com as novas manifestações de racismo. “Nada me revolta mais, como negro, do que essa afirmação abjeta sobre as amas de leite”, afirmou. “Isso dói na alma de quem conhece a história da escravidão e o racismo estrutural.”

Com informações da Folha.com

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