Com 162 mil mortes, Brasil sofre apagão de dados da Covid-19

Apagão elétrico no Amapá e ataque hacker ao banco de dados do Ministério da Saúde impediu que estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro atualizassem seus dados de contágios e óbitos.

Ministério da Saúde não consegue acessar e atualizar dados da pandemia devido invasão do sistema. Montagem por Cezar Xavier

O estado do Amapá novamente não teve atualizações em 24 horas, pelo sexto dia seguido. Segundo a Secretaria de Saúde, o apagão ocorrido no estado desde a noite de terça (3) segue impossibilitando o fechamento do boletim. O estado de São Paulo não divulga boletim desde o dia 6 de novembro. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, o motivo é um problema no acesso aos dados do e-SUS. Ainda, nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, houve atualização no número de casos da doença, mas não no de mortes.

Os tradicionais gráficos de óbitos e contágios com dados diários e semanais produzidos pelo Ministério da Saúde estão sem atualização deste a última quarta-feira (4). O Ministério da Saúde afirma que a dificuldade na atualização se deu por causa da queda dos seus sistemas internos que ocorreu na semana passada e até o momento vem ensejando dificuldades para a sistematização dos dados. Situação semelhante ocorreu com o sistema de dados dos tribunais de justiça.

Para epidemiologistas e gestores de saúde, a situação é bastante grave, pois ficam no escuro para elaborar políticas públicas adequadas ao combate da pandemia. Outra grave consequência é reduzir o engajamento da população no controle epidêmico, conforme não se saiba se a doença avança e em que ritmo.

Quando da primeira crise de dados da pandemia no Governo Bolsonaro, ocorrida intencionalmente no início de junho, quando o presidente tentou impedir a divulgação dos números, o epidemiologista Marcos Boulos concedeu entrevista ao portal Vermelho, em que explicou como esses dados são fundamentais.

“É devido aos dados que sabemos a velocidade de expansão da epidemia. O momento em que a epidemia chega ao ápice e quando começa a descer. Eles são fundamentais para fazermos nossa programação, não só do que fazer, a estrutura hospitalar necessária e adequada para atender aos doentes, como o momento e o nível de flexibilização e liberação que as pessoas podem assumir”, explicou.

Os dados regionais da pandemia também são importantes, de acordo com Boulos, para definir como a pandemia está se comportando em localidades diferentes para que os gestores públicos possam direcionar recursos.

Dados novos

As mortes causadas pela pandemia do novo coronavírus chegaram a 162.628. Nas últimas 24 horas, foram registradas 231 mortes. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 338, segundo cálculo do consórcio da imprensa. A variação foi de -24% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de queda nas mortes por Covid.

Os gráficos oficiais do Ministério da Saúde não foram mais atualizados, desde o dia 4. Acima, o gráfico da imprensa, com ausência de dados de 4 importantes estados.

Ontem, o sistema de dados sobre a pandemia marcava 162.397 óbitos. Ainda há 2.295 falecimentos em investigação, informação referente ao dia 4 de novembro.

Os dados estão no balanço diário do Ministério da Saúde, divulgado na noite desta segunda-feira (9). A atualização é feita a partir das informações de mortes e de casos apurados pelas secretarias estaduais de saúde.

O número de pessoas infectadas com o novo coronavírus desde o início da pandemia atingiu 5.675.032. Entre ontem e hoje, foram notificados pelas autoridades estaduais de saúde 10.917 novos diagnósticos positivos para a doença. Ontem, os dados consolidados pelo Ministério davam conta de 5.664.115 pessoas com Covid-19 desde o começo da contagem. A média móvel de novos casos nos últimos 7 dias foi de 17.484 por dia, uma variação de -26% em relação aos casos registrados em duas semanas. Ou seja, também indica queda em relação aos últimos 14 dias.

O balanço não acrescentou novos casos em acompanhamento, permanecendo 364.575 desde o dia 4 de novembro. O mesmo vale para as pessoas que já se recuperaram da doença, totalizando 5.064.344.

Os números de casos e de mortes são menores nos domingos e segundas-feiras em função da limitação de sistematização dos dados e alimentação do painel do Ministério da Saúde pelas secretarias estaduais aos fins de semana. Já às terças-feiras os números diários tendem a subir pelo acúmulo de casos do fim de semana reportado neste dia.

Covid-19 nos estados

Os estados com mais mortes são São Paulo (39.717), dados ainda do dia 5, Rio de Janeiro (20.905), Ceará (9.404), Minas Gerais (9.204) e Pernambuco (8.740). As Unidades da Federação com menos casos são Roraima (695), Acre (701), Amapá (764), Tocantins (1.114) e Rondônia (1.478).

Situação epidemiológica da Covid-19 no Brasil 09/11/2020
Situação epidemiológica da covid-19 no Brasil 09/11/2020 – Divulgação/Ministério da Saúde

Considerando apenas os estados com atualizações, quatro estados apresentam indicativo de alta de mortes: Paraná, Santa Catarina, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

  • Subindo (4 estados): PR, SC, PE e RN
  • Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (9 estados): RS, ES, AC, PA, RO, BA, MA, PB e PI
  • Em queda (9 estados + o DF): DF, GO, MS, MT, AM, RR, TO, AL, CE e SE
  • Não atualizaram (2 estados): SP e AP
  • Atualizaram parcialmente (2 estados): MG e RJ (não atualizaram os dados de mortes)
Em branco, os 4 estados (AP, SP, RJ e MG) que não têm conseguido atualizar suas estatísticas da pandemia, prejudicando o conhecimento sobre a doença há quase uma semana.

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