Flávio Dino diz que impeachment de Bolsonaro “grita para ser lembrado”

O governador do Maranhão afirmou que o presidente desrespeitou o povo brasileiro e o cargo que ocupa

Flávio Dino - Foto: Reprodução

Ao comentar a fala de Bolsonaro na noite desta terça-feira (10), no Palácio do Planalto, quando disse que o Brasil “tem que deixar de ser um país de maricas”, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse que o artigo o artigo 85 da Constituição, que trata de crime de responsabilidade e do impeachment do presidente, “grita para ser lembrado”.

“Este é um daqueles dias em que o artigo 85 da Constituição Federal, que trata dos crimes de responsabilidade e do impeachment do presidente da República, grita para ser lembrado. Há também o exemplo de Jânio Quadros. Tantos abusos e desvarios não podem permanecer”, escreveu o governador no Twitter.

Para exemplificar o desregramento do presidente e o desrespeito ao cargo, Flávio Dino ainda publicou um vídeo destacando um trecho da fala dele: “A minha vida aqui é uma desgraça, é problema o tempo todo, não tenho paz para absolutamente nada, não posso mais tomar um caldo de cana na rua, comer um pastel”.  

“Sinceramente, acho isso um imenso desrespeito com o povo brasileiro. O chefe da nossa Nação não pode falar assim do cargo que exerce. Além de tudo, isso fere a imagem do nosso país no mundo. Muita irresponsabilidade”, afirmou Dino.

Bolsonaro também mais uma vez ignorou a ciência. “Lamento os mortos. Todos nós vamos morrer um dia. Não adianta fugir disso, da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas (…) A geração hoje em dia é Toddynho, Nutella, ‘Zap’”.

Ameaça a Biden

O presidente ainda ameaçou os EUA, a maior potência militar do mundo, quando se referiu ao presidente eleito Joe Biden. “O Brasil é um país riquíssimo. Assistimos há pouco um grande candidato à chefia de Estado dizer que se eu não apagar o fogo da Amazônia, ele levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que nós podemos fazer frente a tudo isso? Apenas a diplomacia não dá, né, Ernesto [Araújo, chanceler]. Porque quando acabar a saliva, tem que ter pólvora, se não, não funciona. Precisa nem usar a pólvora, mas precisa saber que tem”, disse Bolsonaro.

Mais cedo, Bolsonaro foi alvo de uma enxurrada de críticas no parlamento por comemorar a suspensão dos testes pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) da vacina Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com Instituto Butantam, em São Paulo.

“Entre pólvora, maricas e o risco à hiperinflação, temos mais de 160 mil mortos no País, uma economia frágil e um Estado às escuras. Em nome da Câmara dos Deputados, reafirmo o nosso compromisso com a vacina, a independência dos órgãos reguladores e com a responsabilidade fiscal. E a todos os parentes e amigos de vítimas da Covid-19 a nossa solidariedade”, escreveu o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em duas postagens no Twitter.

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