Parlamentares rebatem fala de Bolsonaro sobre ‘país de maricas’

Em evento, ele voltou a afirmar que a questão da pandemia do coronavírus foi superdimensionada. Bancada do PCdoB também condena bravata belicista do presidente, que ameaçou usar “pólvora” contra supostas ingerências internacionais sobre a Amazônia.

Vala comum aberta no cemitério de Manaus (Foto: Michael Dantas/AFP)

Vários deputados do PCdoB usaram as redes sociais, para reagir a mais um ataque de destempero verbal de Jair Bolsonaro. Em discurso feito na tarde de terça-feira (10), no Palácio do Planalto, o presidente voltou a dizer contra todas as evidências que a questão da pandemia do novo coronavírus foi superdimensionada. 

O país já registra 162.845 óbitos e 5.722.878 diagnósticos pela Covid-19, segundo levantamento junto às secretarias estaduais de Saúde nesta quarta-feira (11).

Segundo Bolsonaro, o Brasil tem que “deixar de ser um país de maricas” e “enfrentar o assunto de peito aberto”. “Todos nós vamos morrer um dia. Não adianta fugir disso, da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas”, disse. Em outro momento de sua fala, o presidente defendeu que o país tenha pólvora para fazer frente a ameaças internacionais em torno da Amazônia. Ele não citou explicitamente a quem fazia referência, mas deixou implícito se tratar de Joe Biden, que venceu a eleição nos EUA.

“Bolsonaro é um escárnio. Ao declarar que ‘o Brasil tem de deixar de ser um país de maricas’, ele comete, mais uma vez, crime de homofobia. Já são mais de 162 mil mortos e Bolsonaro segue c seu descaso c a vida do povo brasileiro e faz de tudo para defender sua familícia. Basta!”, afirmou a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) em uma rede social.

A líder da Bancada na Câmara, Perpétua Almeida (AC), usou sua conta no Twitter para questionar: “Pólvora?! Maricas?! Esse presidente é destemperado mesmo!”. Para a deputada, a derrota de (Donald) Trump nas eleições norte-americanas e as que virão no próximo domingo para os candidatos a prefeito apoiados pelo governo devem estar “derretendo os miolos do Bolsonaro”.

“Ele não diz coisa com coisa. A verborreia está solta. Alguém controle esse homem, deem o remédio dele!”, ironizou.

O vice-líder Márcio Jerry (MA) não poupou críticas ao presidente e reforçou o pedido para que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), faça avançar os pedidos de impeachment apresentados contra o chefe do Executivo. “Bolsonaro chama Brasil de ‘país de maricas’ e ameaça EUA com ‘pólvora’. Tem que interditar urgente! #ImpeachmentDeBolsonaroUrgente”, escreveu no Twitter.

Para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o presidente da República afronta a nação ao provocar outros países para, supostamente, proteger a Amazônia de interesses estrangeiros, principalmente quando estão em jogo “relações econômicas estratégicas”. “Ele não entende nda de soberania e quer se impor assim”, disse nas redes sociais.

“Causa um misto de indignação e incredulidade Bolsonaro tripudiar os mais de 162 mil mortos pela Covid-19 com sua abjeta expressão homofóbica. O Brasil vive um filme de terror. É preciso encerrar esse capítulo trágico de nossa história. #ForaBolsonaroGenocida”, escreveu o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) em sua conta no Twitter.

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