Com brigas internas, governo Bolsonaro vive o seu inferno astral

O inferno astral veio como um presentão de fim do ano para o capetão. Um presente de grego, por definição, muito apreciado pela oposição

(Foto: Reprodução)

O líder da extrema direita vem manifestando com invulgar frequência neste final de ano suas explosões de ódio e ressentimentos. Uma das razões principais é a derrota do seu ídolo maior, o bilionário Donald Trump, que ele ainda não conseguiu engolir.

A cada dia mais na contramão da Presidência, o vice Hamilton Mourão (PRTB) disse nesta sexta (13), em entrevista à Rádio Gaúcha, que a vitória de Joe Biden nas eleições americanas está “cada vez mais sendo irreversível”.

Pode parece uma coisa óbvia, mas a verdade é que a posição do vice é bem diferente daquela adotada pelo presidente Jair Bolsonaro, que ainda não reconheceu a vitória do democrata nas eleições presidenciais dos Estados Unidos e se une mais uma vez a Trump na negação, ou no negacionismo, da realidade.

Mourão também confrontou o político neofascista ao divulgar proposta, elaborada no âmbito do Conselho Nacional da Amazônia (que ele, não por acaso, coordena), de expropriação das propriedades em que forem constatadas queimadas e desmatamentos ilegais.

Bolsonaro reagiu com irritação com a alegação reacionária de que a propriedade privada é sagrada. “Se alguém levantar isso aí, eu simplesmente demito do governo, a não ser que essa pessoa seja ‘indemissível”‘, esbravejou. O ´indemissível´, no caso, é uma alusão óbvia ao general Mourão.

Não é demais lembrar que a sacralização da propriedade privada não está em sintonia com o espírito da Constituição Cidadã de 1988, que estabeleceu o primado da função social da propriedade e prevê a possibilidade de expropriação, por exemplo em caso da exploração de trabalho análogo ao escravo.

Além desses aborrecimentos, o presidente amarga o crescimento da taxa de rejeição ao seu desgoverno nas capitais e maiores cidades brasileiras para além dos 50%. Quem com ele se abraçou neste pleito (como Russomano em São Paulo e Marcelo Crivella no Rio) está naufragando.

Soma ainda a vitória rebunbante do MAS na Bolívia, a posse de Luiz Arce e o retorno triunfal de Evo Morales ao país, o líder indígena que Bolsonaro ajudou a derrubar ao fazer o jogo sujo dos EUA a favor do golpe de Estado de novembro de 2019 na Bolívia.

O inferno astral veio como um presentão de fim do ano para o capetão. Um presente de grego, por definição, muito apreciado pela oposição.

Fonte: CTB

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