Desmatamento anual na Amazônia bate recorde e cresce 9,5%

Dados divulgados pelo Inpe na segunda-feira (30) apontam desmatamento recorde na Amazônia entre agosto de 2019 e julho de 2020

(Foto: Reprodução)

O desmatamento na Amazônia avançou 11.088 km², a maior área desde 2008. O número leva em consideração o período entre agosto de 2019 e julho de 2020 e apresentou um crescimento de 9,5% em relação ao intervalo anterior investigado. Os dados oficiais são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número deve passar por mais uma revisão e ser divulgado em caráter definitivo no primeiro trimestre de 2021. 

Pela primeira vez o recorte abrange um período exclusivo do governo de Jair Bolsonaro. A atuação do Ministério do Meio Ambiente é criticada por ambientalistas e gestores de instituições públicas, sendo a principal iniciativa do governo as Operações Verde Oliva, convocadas a partir de GLOs (Garantia da Lei e da Ordem).

O vice-presidente e chefe do Conselho da Amazônia, Hamilton Mourão, esteve presente na divulgação dos dados nesta segunda-feira (30) na sede do Inpe. O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontos, também esteva no local. A ausência no evento foi do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Mourão comentou os números apresentados para o Inpe em tom de reprovação da gestão, mas ressaltou o trabalho dos militares na região.   

“Não estamos aqui para comemorar nada disso, porque isso não é para comemorar”, afirmou o chefe do Conselho da Amazônia. O general da reserva citou que o crescimento foi inferior ao que se esperava inicialmente. Ele também voltou a repetir que o combate ao desmatamento em 2020 começou tarde. 

“O resultado provisório do Prodes significa que nós temos que manter a impulsão do nosso trabalho na busca constante para a redução dos índices de desmatamento”, afirmou Mourão. “É chegar o momento em que o único desmatamento que ocorra na região da Amazônia seja aquele que esteja compreendido pela nossa legislação. Ou seja, aquele de uma propriedade que tenha direito a desmatar 20%, então é só esse desmatamento que pode ocorrer.” 

Os militares estão na Amazônia desde maio de 2020 e anteriormente foram convocados entre final de agosto e final de outubro de 2019, cerca de cinco dos meses do Prodes atual – entre final de agosto e final de outubro de 2019 e de maio a julho de 2020. 

A maior parte da região desmatada estava no Pará, cerca de 46,8%. Em seguida, aparece o Mato Grosso, com 15,9%, seguido por Amazonas, responsável por 13,7% da destruição no período. 

Com informações de Folha de S.Paulo e O Globo

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