A antipolítica foi a grande fracassada, afirma Flávio Dino

Governador do Maranhão e líder progressista, Flávio Dino (PCdoB) fez um balanço das eleições de 2020

(Foto: Reprodução do UOL)

Em entrevista à CartaCapital, exibida pelo canal da revista no YouTube nesta terça-feira (1º), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), avaliou as eleições deste ano e projetou como poderá ser a disputa em 2022 do ponto de vista da formação de uma frente ampla do campo progressista.

Ao falar sobre o recado das urnas no pleito deste ano, Flávio Dino avaliou que “foi predominante a rejeição a certos experimentalismos que houve em 2018. O grande fracassado ou elemento derrotado foi a chamada antipolítica, ou aquelas caricaturas que prometiam geniais inovações e que se revelaram monumentais fracassos políticos e gerenciais”.

O segundo elemento destacado pelo governador “é que o eleitorado, de modo geral, se descolou da antipolítica e do extremismo bolsonarista que andam de mãos dadas, mas não chegou até o campo da esquerda. É como se fosse um trânsito em que o eleitor tivesse caminhado para a esquerda nos anos do lulismo, tivesse caminhado para a extrema-direita e a antipolítica nos anos pós-Lava-jato e agora fizesse um caminho de volta, mas no caminho de volta, parou numa estação intermediária, que é a direita tradicional, que sem dúvida foi majoritariamente vencedora em relação à esquerda”.

Neste sentido, ao tratar de possíveis lições a serem tiradas pela esquerda dos embates de 2020, Flávio Dino analisou: “Nem sempre a derrota da esquerda deriva de erro seu. Às vezes, há um espírito de auto-flagelação. Claro que temos tido muitos problemas. Estamos numa defensiva estratégica desde 2013 praticamente, desde as chamadas jornadas de junho”. Desde então, disse, “temos colhido mais revezes do que vitórias”.

Ele acrescentou que “outro elemento é, ainda, a recomposição de laços inter-subjetivos entre os vários atores do nosso campo. Se pegarmos do impeachment até as eleições de 2018, houve muitas contendas, pugilatos verbais, e isso ainda está vivo, há muitas mágoas, que “quando se olha mais para o retrovisor do que para a frente, se impede uniões e isso acaba cobrando um tributo. Ganhamos em Belém e em Fortaleza e teríamos perdido se não houvesse uma ampla união”.

Unidade em 2022

Ao projetar possíveis cenários para 2022 no que diz respeito à unidade, Flávio disse acreditar que a união de forças políticas e sociais é uma necessidade. “Temos de lutar à exaustão porque este é um elemento estratégico para o nosso campo progressista, nacional-popular, de esquerda ter força e ter capacidade de atrair setores sociais”.

Para o governador, “às vezes há a ideia de que quando se fala em frente ampla, está se falando para o resto da vida. Não. É objetivo tático, imediato, como por exemplo, a eleição da presidência da Câmara, ou a votação do Fundeb, ou sustentar medidas sanitárias contra o bolsonarismo. É isso”.

Considerando uma eleição em dois turnos, em 2022, Flávio avalia que “é preciso nuclear o que a gente tem”, criar uma “frente progressista, do campo popular, com programa, candidato, agora, dialogando com os outros, óbvio, porque a eleição é em dois turnos. Se não, você chega no segundo turno e bloca do lado de lá. Eleição em segundo turno é o seguinte: se você faz frente ampla com você, você ganha; se a frente ampla se forma contra você, você perde. Se você amplia, você ganha; se restringe, você perde”, sintetizou.

Flávio avaliou ainda que “você não pode achar que vai construir uma aliança vitoriosa em 2022 sem o PT. Isso é um erro gigantesco. Ou contra o PT, o que é pior ainda. Você precisa ter o PT junto, pela importância que ele tem como partido mais nacional, partido com maior aprovação popular e por ter o maior líder político do nosso campo: o presidente Lula”.

Confira a entrevista:

Fonte: PCdoB

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