Com PIB aquém do previsto, governo fala em fim de “escudo social”

Sociólogo Clemente Ganz Lucio lembra que auxílio emergencial impulsionou retomada econômica.

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Após a divulgação do crescimento de 7,7% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e riquezas produzidos pelo país), devido ao relaxamento do distanciamento social e reabertura gradual das atividades econômicas, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia afirmou que o resultado abre espaço para “desarmar” o “escudo de políticas sociais” para enfrentar a pandemia e retomar a agenda de reformas.

O crescimento do terceiro trimestre tem como base de comparação os três meses anteriores. Porém, em relação ao terceiro trimestre de 2019, houve queda de 3,9%. O PIB recuou 5% no acumulado do ano e 3,4% em 12 meses. Além disso, governo e mercado projetavam recuperação de cerca de 9%.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que o PIB cresceu “um pouquinho abaixo do esperado”, mas comemorou e disse que “a economia está voltando [a crescer] em V”.

Para o sociólogo Clemente Ganz Lucio, consultor do Fórum das Centrais Sindicais, a celebração do governo é prematura. Ele lembra que, além de ficar aquém das projeções, o crescimento de 7,7% tem uma base de comparação muita baixa: os meses de abril, maio e junho, auge da recessão.

Além disso, segundo ele, os sinais para o último trimestre de 2020 são de desaceleração da retomada econômica. Ele destaca que, no quarto trimestre do ano, o resultado do PIB deve mostrar mais claramente as consequências da redução do valor do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300, mudança que começou a valer em outubro.

O consultor lembra também que, com o fim do auxílio a partir de janeiro, o desempenho da economia tende a se deteriorar, uma vez que o benefício estimulou o consumo e puxou a recuperação.

“Esses 7,7% ainda são 3,6% abaixo do [crescimento do] mesmo trimestre do ano anterior. A retomada ainda está longe de colocar a economia no mesmo patamar de 2019. Os indicadores também estão mostrando que a taxa de retomada no quarto trimestre tende a ser menor. Sendo que as consequências do desemprego não apareceram ainda com o efeito do auxílio emergencial”, diz.

Com informações do G1

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