A ação ineficaz dos Estados Unidos contra a pandemia

A comunidade internacional mostrou-se decepcionada com a incompetência americana.

De acordo com estatísticas da Universidade Johns Hopkins, pelas 18:00, horário do leste dos EUA, de 17 de novembro, um novo recorde foi estabelecido com mais de 147 mil novos casos de Covid-19 em um único dia. Segundo o New York Times os EUA registraram 155.442 novos casos por dia na semana entre 9 e 15 de novembro.

No entanto, o governo dos Estados Unidos não aparentou se preocupar com o fracasso no combate a este flagelo. O presidente Donald Trump voltou a tweetar sobre o “vírus chinês”. Por outro lado, de acordo com um estudo divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (INT, na sigla inglesa), em Milão, o coronavírus pode estar circulando na Itália desde setembro de 2019, três meses antes de ter sido detectado na China. Isso demonstra que o rastreamento do vírus é um processo em evolução, e que a politização do vírus não só não pode salvar vidas dos EUA, como também ameaça a segurança de saúde global.

Após o surto da pandemia, os EUA não foram poupados esforços para minar a cooperação anti-epidemiológica global. Foi estritamente proibida a exportação de materiais anti-epidemiológicos, firmado o corte com a OMS e feita a apologia ao nacionalismo de vacinas.

Em 11 de setembro, a 74ª Assembleia Geral aprovou uma resolução abrangente sobre a pandemia. O texto integral do projeto de resolução foi aprovado por uma maioria absoluta de 169 votos a favor e 2 votos contra, um deles o dosEstados Unidos.

Após o surto nos Estados Unidos, o governo americano não tomou medidas eficazes a tempo. Perante o aumento diário de casos, a escolha foi atribuir culpas a entidades alheias, balbuciando sobre outros países e o desempenho da OMS, usando-os como “bodes expiatórios”.

Em 14 de abril, o governo dos Estados Unidos acusou a OMS de inércia na prevenção e controle da epidemia e de falta de informações oportunas e opacas sobre a situação, anunciando a suspenção do financiamento à OMS. Não se trata tanto de uma suspensão de financiamento, mas de um jogo de “métodos antigos”, pois até agora, os Estados Unidos devem ainda a maioria das suas quotas à OMS para 2019, e as de 2020 ainda não foram pagas.

À medida que a epidemia doméstica se intensifica, as acusações do governo dos EUA contra a OMS acompanharam esse ritmo. Em 6 de julho, os Estados Unidos notificaram as Nações Unidas que se retirariam da Organização Mundial da Saúde em julho de 2021. Tal atitude foi condenada por Richard Horton, editor-chefe da revista The Lancet. Em um momento crítico em que o mundo está enfrentando uma emergência humanitária, a saída dos Estados Unidos da OMS é equivalente é um ato “atentatório”.

As vacinas são a chave para acabar com a propagação global da epidemia. A pesquisa e o desenvolvimento conjuntos e a distribuição justa de vacinas tornaram-se um consenso comum entre os países ao redor do mundo. No entanto, as autoridades dos EUA, favorecendo a conduta “América First”, começaram desde cedo a promover o “nacionalismo de vacinas”.

Mais de 100 países e regiões aderiram ao plano Covax. A meta é fornecer pelo menos 2 bilhões de doses seguras e eficazes de uma nova vacina globalmente até o final de 2021. Os Estados Unidos não demonstraram qualquer interesse, a despeito da OMS ter apelado à comunidade internacional em várias ocasiões para “evitar os perigos do nacionalismo de vacinas a todo custo”.

Apesar da epidemia ameaçar seriamente a segurança de saúde pública de países como o Irã e a Venezuela, os Estados Unidos não desistiram das sanções unilaterais impostas contra eles. Estudantes iranianos escreveram às Nações Unidas dizendo: “Estas políticas desumanas impedem o acesso dos pacientes com Covid-19 aos medicamentos de que necessitam”. Tal situação serviu apenas para agravar o dilema humanitário nesses países.

Na verdade, desde que a epidemia se espalhou globalmente, os Estados Unidos, que têm os meios médicos mais avançadas do mundo, se tornaram o pior país na resposta à epidemia. A comunidade internacional mostrou-se decepcionada com a incompetência americana.

Em geral, acredita-se que, face à “maior crise do mundo desde a Segunda Guerra Mundial”, os Estados Unidos não demonstraram a liderança expectável, nem sequer deram um único passo na luta contra a epidemia.

Em 22 de outubro, o “New York Times” publicou um artigo intitulado “Os Estados Unidos e o Coronavírus: O Grande Fracasso da Liderança”. Citando Dway Sridhar, professor de saúde pública global da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido: “É triste que os Estados Unidos não sejam o líder de saúde global, mas um motivo de chacota mundial”.

É uma pena que os Estados Unidos tenham ignorado os apelos do resto do mundo e insistido em seguir seu próprio caminho. Face a um desastre humanitário onde mais de 200.000 vidas pereceram, resta esperar que os políticos americanos acordem o mais cedo possível. 

Fonte: Diário do Povo

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