Governo paulista pressiona Bolsonaro com plano de vacinação Covid-19

Na disputa política entre Dória e Bolsonaro, população fica no escuro sobre o acesso à vacinação contra a Covid-19. Ministério da Saúde está inerte, enquanto Dória anuncia vacinação sem vacina aprovada.

O governador de São Paulo, João Dória, aproveitou o negacionismo de Jair Bolsonaro e sua ideologização da vacina Coronavac, fabricada na China comunista, para marcar sua diferença com o atual presidente, conforme ele prepara o campo para a eleição presidencial de 2022.

Doria lançou nesta segunda-feira (7) o Plano Estadual de Imunização contra o coronavírus, numa iniciativa de marketing que se antecipa a todos os outros estados. Segundo ele, a campanha vai começar no dia 25 de janeiro, com prioridade para profissionais de saúde, pessoas com 60 anos ou mais e grupos indígenas e quilombolas na primeira etapa. São Paulo também vai disponibilizar 4 milhões de doses da vacina do Instituto Butantan para outros estados.

O objetivo do lançamento foi pressionar o Governo Federal que tem se mostrado inerte na definição de um plano de vacinação. Sequer garantiu a fabricação de seringas necessárias, caso a vacina esteja disponível. Licitações e pregões vão perdendo prazo, enquanto o ano termina sem oferecer qualquer esperança para os brasileiros.

Com isso, o governador paulista aproveita a deixa e avança sobre a inércia do Ministério da Saúde. Já havia uma acordo com a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, que transferiu tecnologia para testagem e fabricação da vacina Coronav no Brasil. Com a má vontade do presidente em assumir uma vacina chinesa como a protagonista da imunização dos brasileiros, Dória converteu a disputa num trunfo.

“A vacina será gratuita para todos no sistema público de saúde do estado de São Paulo”, afirmou o Governador. “Não estamos virando as costas para o Plano Nacional de Imunizações, mas precisamos ser mais ágeis e, por isso, estamos nos antecipando. Somos todos a favor da vida e de todas as vacinas”, acrescentou Doria.

A previsão é que 9 milhões de pessoas sejam imunizadas na primeira etapa, com a aplicação de 18 milhões de doses. O público-alvo prioritário abrange trabalhadores na linha de frente de combate à Covid-19, indígenas e quilombolas e também a faixa etária com maior índice de letalidade por Covid-19 – 77% das mortes provocadas pelo coronavírus até agora são de pessoas com mais de 60 anos.

Dória detalhou a logística de sua campanha, com as dimensões de instalações e pessoal contratado, assim como parcerias privadas. Apresentou datas e prioridades vacinais, medidas que o Ministério da Saúde não dá sinal de estar preparado para anunciar.

Até o fim de março, o Governo de São Paulo estima que quase 20% dos 46 milhões de habitantes do estado estejam imunizados com duas doses da CoronaVac e conta com a rápida aprovação da vacina do Butantan pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Ameaça à saúde pública

Deputadas afirmam que a paralisia do governo ameaça a saúde dos brasileiros. Parlamentares do PCdoB avaliam que a incompetência de Bolsonaro no combate ao novo coronavírus e sua incapacidade de apresentar um plano de recuperação para a economia do País colocam em risco a vida de milhões de brasileiros.

A deputada Perpétua Almeida (AC), líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, afirmou nesta segunda-feira (7) que a paralisia do governo federal ante o clamor nacional pela definição urgente de um plano de vacinação contra a Covid-19 pode levar a uma situação de pânico na população brasileira.

Perpétua avalia que a falta de uma estratégia clara e objetiva do Ministério da Saúde para o enfrentamento da pandemia está deixando o povo brasileiro entregue à própria sorte.

“O Brasil ainda não tem decisão de aquisição de vacina para imunizar a população. Até a possibilidade de faltar seringas já se cogita, porque o governo até agora não definiu um plano e não ordenou que a indústria se prepare para fornecer insumos”, observou.

A parlamentar lembrou que o Reino Unido e a Rússia já iniciaram seu plano de vacinação, enquanto EUA, Canadá e União Europeia também possuem acordos para adquirir todas as vacinas necessárias para imunização em massa da população.

Ela considerou muito grave o atraso do Brasil na definição de um plano de vacinação, que resolva de forma definitiva qual é o caminho e como o governo vai trabalhar. “Bolsonaro não unifica o País, joga na divisão dos brasileiros, contribuindo para uma desorientação nacional”, criticou. 

A líder do PCdoB observou que famílias de alta renda já cogitam viajar para tomar a vacina no exterior, em países que já têm previsão de vacinação, no chamado “turismo da vacina”. “Mas a grande maioria do povo não tem essas condições e precisa do governo federal que, paralisado pela sua irresponsabilidade e incompetência, coloca em risco a vida de milhões de brasileiros”, denunciou.

Perpétua Almeida ressaltou ainda que a desorientação é geral no governo. “O ministro da Economia (Paulo Guedes) virou um zumbi e não tem um plano de recuperação para a economia. O Brasil não tem ministro da Educação e os estudantes brasileiros vão ficando para trás, sem um programa de estudos na pandemia, uma grande maioria sem internet. O ministro da Saúde não se coloca à frente dos cuidados com a saúde da população”, afirmou.

“O mundo inteiro está se preparando para vacinar seu povo, e o Brasil?”, questionou a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). A parlamentar observou que o governo não apresenta nenhuma estratégia, nem explica como será a vacinação. “Nós precisamos colocar dinheiro público, para garantir que este País coloque dinheiro no SUS, para que a gente garanta vacinação em massa”, cobrou.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) também criticou o atraso do planejamento da vacinação no Brasil e disse que o presidente Jair Bolsonaro trabalha contra a vida do povo.

“Estamos em um novo pico da pandemia e o Brasil não tem um plano de vacinação em massa. Bolsonaro precisa parar com sua guerra política contra a vacina e garantir a imunização do povo brasileiro. Estamos em luta pela vida das pessoas”, disse a deputada.

CRONOGRAMA COMPLETO DO PLANO ESTADUAL DE IMUNIZAÇÃO CONTRA O CORONAVÍRUS

– 25 de janeiro a 28 de março

– 9 semanas de duração

– 18 milhões de doses

– Duas aplicações por pessoa, com intervalo de 21 dias entre a primeira e a segunda dose

Cronograma de vacinação:

Dose 1
25/01 Profissionais da Saúde, indígenas e quilombolas
08/02 Pessoas com 75 anos ou mais
15/02 Pessoas com 70 a 74 anos
22/02 Pessoas com 65 a 69 anos
01/03 Pessoas com 60 a 64 anos

Dose 2
15/02 Profissionais da Saúde, indígenas e quilombolas
01/03 Pessoas com 75 anos ou mais
08/03 Pessoas com 70 a 74 anos
15/03 Pessoas com 65 a 69 anos
22/03 Pessoas com 60 a 64 anos

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