Doca Street morre 44 anos após assassinar Ângela Diniz

Ele tinha 86 anos e morreu nesta sexta-feira (18) com parada cardíaca

Raul "Doca" Street, em seu primeiro julgamento pela morte de Ângela Diniz, em 1979 | Foto: Sebastião Marinho / Agência O Globo

Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, morreu aos 86 anos nesta sexta-feira devido a parada cardíaca. O ex-playbou ficou nacionalmente conhecido após matar a namorada Ângela Diniz, conhecida como Pantera de Minas, em 30 de dezembro de 1976. O crime, as personagens e a repercussão entraram para a história do Brasil após a condução inadequada do caso.

Ângela Diniz estava recomeçando a vida com Doca Street em Búzios, em uma casa de veraneio na Praia dos Ossos. O relacionamento, porém, apresentava problemas. Doca era possessivo e Ângela confessou a amigos que ele a agredia. Após ela terminar o namoro, Doca chegou a sair de casa, mas retornou após alguns instantes e disparou quatro vezes contra o rosto de Ângela. Ela tinha 32 anos.

O crime chocou a sociedade, mas em poucos dias Doca Street era considerado a vítima. A grande imprensa entrevistou o assassino em mais de uma ocasião, sem que o colocasse como criminoso. O crime, que hoje seria considerado feminicídio, foi caracterizado como um ato de amor descontrolado. Henfil, uma das vozes dissonantes na imprensa, chegou a publicar de forma sucinta: “Estão quase conseguindo provar: Ângela matou Doca.”

Não só a imprensa alimentou uma versão macabra de história amorosa. O delegado de Cabo Frio responsável pelo caso, Newton Waltz, também considerou Doca Street um romântico e tentou encontrar um bode expiatório, mesmo após a confissão de assassinato.

Doca Street foi julgado pela primeira vez em 1979, quando a defesa alegou “legítima defesa da honra”. O argumento era estruturado nos rumores de que Ângela o traía com outras pessoas, em uma campanha de difamação da Pantera de Minas e valorização do conservadorismo.

A sentença foi de apenas dois anos, mas Doca Street conseguiu o direito de cumprir a pena em liberdade. O movimento feminista brasileiro na época protestou contra a condenação branda, e a pressão resultou em novo julgamento em 1981. Doca Street, então, foi condenado a 15 anos de prisão.

O episódio voltou a circular pela mídia neste ano após o podcast Praia dos Ossos recontar o caso em uma série de oito episódios produzidos pela Rádio Novelo.

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