Operação da PF apreende maior volume de madeira ilegal na história

Em ação no oeste do Pará, Polícia Federal identifica 40 locais com desmatamento irregular

A maior apreensão de madeira nativa do Brasil ocorreu na divisa do Pará com o Amazonas nos últimos dias, em operação da Polícia Federal. São 43.700 toras com volume total de aproximadamente 131,1 mil m³, o que seria suficiente para construir 2.620 casas populares. As informações são da Folha de S.Paulo.

Os números são preliminares e o cálculo é considerado conservador pela PF. O superindente do órgão no Amazonas, Alexandre Saraiva, destacou a relevância da apreensão. “É uma área que estava sofrendo uma devastação irracional, que de forma alguma pode ser chamada de manejo florestal”, afirmou o Alexandre Saraiva, comandante da operação. “O comércio ilegal de madeira sofrerá um baque muito grande com esse trabalho.”

Antes da operação Handroanthus GLO, que une o nome científico do ipê à sigla da Garantia da Lei e da Ordem, o recorde de apreensão era de 65 mil m³, menos da metade do volume apreendido pela PF nos últimos dias.

O início da operação foi em 16 de novembro após a detenção de uma balsa com 3 mil m³ de madeira com documentação irregular no rio Mamuru, município de Parintins (AM). Apesar de ter sido extraída no Pará, a madeira é transportada pelo estado vizinho.

Em posse das informações sobre a origem das toras, a PF utilizou imagens de satélite da região para identificar possíveis locais do desmatamento. Um sobrevoo de helicóptero filtrou os locais suspeitos para 40 áreas, com quantidades de madeira variando entre 10 mil m³ e 30 mil m³.

Alexandre Saraiva destacou que o avanço tecnológico foi essencial para a apreeensão. “Tudo isso é resultado das novas tecnologias, uma inevitabilidade histórica. Não há mais como voltar ao tempo em que se podia saquear a Amazônia impunemente, contando com o tamanho da floresta”.

O destino da madeira ainda é incerto pela complexidade da logística de transporte e uso da madeira ilegal. Para Saraiva, a madeira deveria ser utilizada para fins públicos. “O que não se admite é o leilão para essas madeiras. Isso seria muito ruim porque estaríamos legalizando o ilegal. Os próprios infratores, por meio de interpostos, poderiam adquirir essa madeira e ficariam com um documento de origem lícita que poderiam usar até com outras madeiras.”

Com informações de Folha de S.Paulo

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