Brasil fica para trás: México, Chile e Argentina vacinam antes na AL

Fato de o Brasil ainda não ter nem sequer assinado contrato com a Pfizer reflete a abordagem errática do governo Bolsonaro

A Argentina, do presidente Alberto Fernández, deve receber 300 mil doses da russa Sputnik V ainda nesta semana

Numa evidência do despreparo do governo Jair Bolsonaro – e de sua negligência com a pandemia do novo coronavírus –, o Brasil não será pioneiro nem mesmo entre os países da América Latina na vacinação contra a Covid-19. México, Chile e Argentina preveem começar a aplicar a vacina em algum momento da semana que vem. A Colômbia também se preparar para receber as primeiras doses da vacina Pfizer/BioNTech.

Analistas afirmam que o governante que conseguir começar a imunização primeiro ganhará capital político e terá chances de recuperar a economia mais cedo. Em contrapartida, o fato de o Brasil ainda não ter nem sequer assinado contrato com a Pfizer reflete a abordagem errática do governo Bolsonaro.

“Governantes de todos os países estão desesperados para começar a encontrar soluções. Precisam de alguma saída ao mau humor social depois de quarentenas extensas e para a pandemia que parece não ter solução”, afirma Julio Burdman, da Universidade de Belgrano, na Argentina.

O governo mexicano anunciou que receberá as primeiras doses da vacina Pfizer/ BioNTech nesta quarta-feira (23). Não ficou claro quantas doses chegarão nesta semana, mas o objetivo é receber, até janeiro, 1,4 milhão das 34 milhões de doses encomendadas pelo governo mexicano. No total, o México assinou acordos para a compra de 198 milhões de doses. Além da Pfizer, foram assinados convênios para receber vacinas da AstraZeneca e da Sinovac.

No Chile, a expectativa é que as primeiras doses também cheguem nesta semana. O país assinou contratos para compra de 36 milhões de doses – o suficiente para vacinar o dobro da população –, sendo 10,1 milhões da vacina Pfizer/ BioNTech, 14,4 milhões da AstraZeneca, 8 milhões da aliança Covax, além da chinesa Sinovac e da Johnson & Johnson.

Na Argentina, o governo do presidente Alberto Fernández deve receber 300 mil doses da russa Sputnik V ainda nesta semana. O objetivo é imunizar 10 milhões de pessoas até fevereiro. Além da Sputnik V, o país tem contrato com a AstraZeneca, de quem comprou 22 milhões de doses, e aderiu à Covax. As negociações com a Pfizer seguem.

Já a Colômbia anunciou contrato para compra de 40 milhões de doses com a Pfizer e deve receber 1,7 milhão em fevereiro. Além disso, o governo colombiano encomendou 10 milhões de doses da AstraZeneca e 20 milhões da Covax.

No Brasil, o estado de São Paulo prevê começar a vacinação com a chinesa Coronavac em 25 de janeiro – o que ainda depende da aprovação da Anvisa. O governo federal aposta na vacina da AstraZeneca, ainda não aprovada por nenhum país, e negocia com a Pfizer. Em entrevista à TV Brasil, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que alguns grupos prioritários devem começar a receber a primeira dose da vacina contra a Covid-19 no final de janeiro.

“O pioneirismo em começar a vacinação é uma vitória política para o governante que conseguir se destacar na região, com possibilidade de uma recuperação econômica mais rápida”, diz Leandro Lima, da consultoria Control Risks. “A posição do Brasil nessa corrida reflete a abordagem controversa do governo frente à pandemia. O processo é errático justamente porque tem sido alvo de disputa política interna, o que não se vê nos outros países.”

Com informações do Valor Econômico

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