Venezuela compra vacina russa; Cuba avança em suas “vacinas soberanas”

“Nenhum país do 3º Mundo dispõe de vacina em fase de teste clínico contra a Covid-19, exceto Cuba”, afirmou o presidente Díaz-Canel

Ao visitar o Instituto Finlay de Vacinas, o presidente Díaz-Canel reafirmou que Cuba vai imunizar toda a população no 1º semestre de 2021

Mesmo sob o criminoso bloqueio dos Estados Unidos, Venezuela e Cuba avançam na luta para imunizar suas populações em meio à pandemia do novo coronavírus. Nesta terça-feira (12), a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, assinou um contrato de compra da Sputnik V, a vacina russa contra a covid-19. Em Cuba, o presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez visitou pela terceira vez o Instituto Finlay de Vacinas (IFV), que registra avanço na produção da vacina Soberana, em suas variantes 01 e 02.

Os planos do governo bolivariano da Venezuela é iniciar, em janeiro, uma primeira etapa de imunização. “Firmamos um acordo para vacinar 10 milhões de pessoas e já estamos nos programando para esta primeira fase”, disse Delcy Rodríguez. A assinatura do contrato ocorreu em reunião entre a vice-presidente e o embaixador russo na Venezuela, Serguéi Melik-Bagdasárov. Também participaram os ministros venezuelanos da Saúde, Carlos Alvarado, e das Relações Exteriores, Jorge Arreaza.

Segundo Delcy, a Venezuela contribuiu para as pesquisas e para os testes da Sputnik V. O país participa da fase 3 de ensaios clínicos do imunizante com 2 mil voluntários. “Sabemos que a vacina russa é muito segura, é um passo firme, um passo adiante. Já estamos preparados para vacinar a população o mais rápido possível”, disse. Até o momento, a Venezuela tem 112.636 casos e já registrou 1.018 mortes por Covid-19.

A vice-presidente também destacou a parceria entre Caracas e Moscou – uma “uma aliança estratégica do mais alto nível”, conforme suas palavras. “Nada foi capaz de deter essa relação de irmandade e cooperação, nem os grosseiros ataques contra a Venezuela.” Já o embaixador russo disse que seguirá “desenvolvendo essa relação estratégica em todas as áreas em prol do futuro de nossos povos”.

Delcy destacou os impactos negativos causados pelo bloqueio norte-americano contra a Venezuela, como a falta de acesso ao fundo de vacinação da ONU (Organização das Nações Unidas). “Isso é um direito do povo venezuelano durante uma situação humanitária causada pela pandemia – e o povo da Venezuela tem recursos para cobrir a aquisição dessas vacinas”, disse.

Vacinas Soberanas

Já em Cuba, sob a liderança do Partido Comunista, a meta é vacinar a população contra o novo coronavírus já no primeiro semestre de 2021. O presidente Díaz-Canel elogiou o trabalho dos cientistas do Instituto Finlay de Vacinas (IFV), em sua maioria mulheres, durante a sua nova visita à instituição.

“Nos cientistas do Instituto Finlay de Vacinas (IFV) está a expressão do país. Vocês funcionaram como uma família unida”, afirmou o presidente cubano. “Ao lutarem e resistirem em meio à adversidade do ano que está terminando, vocês triunfaram. Vocês fazem parte da grande família cubana, que resistiu criativamente apesar das restrições.” Para Díaz-Canel, 2020 foi “o ano mais difícil em várias décadas para Cuba e o mundo”.

Na luta pela vacina, o líder cubano exaltou o fato de o país estar no mesmo patamar de nações desenvolvidas. “Nenhum país do 3º Mundo dispõe de vacina em fase de teste clínico contra a Covid-19, exceto Cuba, que, por sua vez, não fica atrás do mundo nessas pesquisas. Isso mostra as capacidades que o país criou”, declarou Díaz-Canel. “Pode haver capacidades em outros lugares, mas aqui tem outras coisas são diferentes – o sentimento e o compromisso com o que se faz.”

De acordo com o médico Vicente Vérez Bencomo, diretor geral do IFV e líder do projeto, as Soberanas avançaram no teste clínico de forma importante – a Soberana 01 está encerrando a Fase 1, enquanto a 02 entra na Fase 2. As duas mostraram ótimos resultados em termos de segurança e resposta imunológica. A Soberana 02, em especial, tem apresentado uma resposta imunitária precoce (aos 14 dias), o que lhe permite passar para a Fase 2 do teste clínico mais rapidamente.

Ao dar mais detalhes acerca do desenvolvimento da Soberana 02, Vérez Bencomo explicou que, em janeiro, cerca de mil voluntários serão vacinados em suas diferentes formulações. Posteriormente, após as devidas avaliações e autorizações, entrarão na Fase 3, da qual participarão cerca de 150 mil pessoas em Havana. Também avançam as negociações para o desenvolvimento da Fase 3 do teste clínico da Soberana 02 em outros países, devido à baixa prevalência da Covid-19 na população cubana.

O diretor-geral do Instituto Finlay ratificou a capacidade do país de imunizar a população cubana no primeiro semestre de 2021. Revendo a história do IFV e de outras instituições científicas com a vacina Soberana, que começou a ser desenvolvida em maio passado, o cientista disse: “É incrível o que conquistamos em sete meses”.

Da Redação, com informações do Opera Mundi e do Granma

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