Brasil chega a 200 mil mortes com recorde de contágios e sem vacina

Órgãos manifestam pesar. Foi o segundo dia com mais mortes de toda a pandemia e o maior registro de contágios, 87.843 novos diagnósticos positivos, desde o início.

(Brasília – DF, 07/01/2021) Coletiva de Imprensa do Ministério da Saúde. Alan Santos/PR

O Brasil bateu a marca de 200 mil vidas perdidas em razão da pandemia do novo coronavírus. A atualização do Ministério da Saúde divulgada na noite desta quinta-feira (7) informa um total de 200.498 mortes em decorrência de covid-19.

O Brasil chega a este número num momento bastante delicado, em que ainda não há concretude de uma campanha de imunização, apenas anúncios desencontrados. Também ocorre num momento em que se atinge recordes de contágios e o segundo maior número de mortes num dia. Uma sinalização que deixa em alerta especialistas diante da possibilidade de um descontrole da pandemia, com colapso dos sistemas de saúde e funerário de localidades mais vulneráveis.

Em 26 de abril do ano passado, Manaus registrou 140 sepultamentos com abertura de valas comuns para os caixões. Nesta quarta-feira (6), a capital amazonense se aproximou daquele recorde com 110 enterros em apenas um dia, após o prefeito dizer da falta de covas para tantos mortos. Em Belém, também há temor de caos na saúde conforme vão lotando os leitos de UTI com pacientes da doença.

Até ontem, o sistema de dados sobre a pandemia marcava 198.974 óbitos. Ainda há 664.244 pessoas infectadas em acompanhamento. Outras 7.096.931 pessoas – 89,1% do total – já se recuperaram da doença.

Nas últimas 24 horas foram registrados 1.524 novos óbitos. Foi o 2º dia com mais mortes notificadas durante todo o período de pandemia, perdendo apenas para 29 de julho, quando foram confirmadas 1.595 novas vítimas. Ainda há 2.543 óbitos sob investigação.

Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 741, de acordo com levantamento do consórcio da imprensa. A variação foi de +7% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nos óbitos pela doença.

Nesta quinta-feira, a média de mortes se aproxima da ultrapassagem da média calculada até sábado da última semana. Ainda há mais dois dias de registros até o fechamento da primeira semana epidemiológica de 2021, e o prenúncio é de aceleração de óbitos.

O total de casos acumulados se aproxima de 8 milhões. Conforme o balanço do Ministério da Saúde, o Brasil chegou a 7.961.673 pessoas infectadas desde o início da emergência sanitária. O número de casos acumulados ontem estava em 7.873.830.

Entre ontem e hoje, foram confirmados 87.843 novos diagnósticos positivos, o maior número em toda a pandemia. O dia com mais casos acrescidos às estatísticas havia sido 16 de dezembro de 2020, com 70.574. A média móvel calculada pelo consórcio da imprensa nos últimos 7 dias foi de 36.452 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de -10% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade também nos diagnósticos –após 8 dias seguidos em queda.

Nesta quinta-feira, a média de infecções diagnosticadas também se aproxima da ultrapassagem da média calculada até sábado da última semana. Ainda há mais dois dias de registros até o fechamento da primeira semana epidemiológica de 2021, e o prenúncio também é de aceleração de contágios.

Na lista de estados com mais mortes, o topo é ocupado por São Paulo (47.768), Rio de Janeiro (26.292), Minas Gerais (12.366), Ceará (10.096) e Pernambuco (9.763). As Unidades da Federação com menos óbitos são Roraima (793), Acre (821), Amapá (956), Tocantins (1.257) e Rondônia (1.890).

Dez estados e o Distrito Federal apresentaram alta na média móvel de mortes: RJ, DF, GO, AM, RO, RR, TO, CE, PB, PI e SE.

Norte e Nordeste continuam as regiões com maior aceleração de óbitos na pandemia

Repercussão

O Ministério da Saúde divulgou nota em que se solidariza com as “famílias que perderam entes queridos”. No comunicado, a pasta diz que está “trabalhando incansavelmente para para garantir vacinas seguras e eficazes à população” e destaca o papel dos profissionais de saúde no combate à pandemia.

A nota destoa das manifestações do presidente da República, Jair Bolsonaro (ex-PSL), que frequentemente manifesta desdém pelas mortes da pandemia, criticando as vítimas como fracas e tratando como normais os números trágicos que afetam centenas de milhares de famílias brasileiras.

“É importante ressaltar que é a força de cada um dos profissionais de saúde – como médicos, enfermeiros, cuidadores, técnicos e demais profissionais – que fazem o Sistema Único de Saúde (SUS) funcionar”, destaca o Ministério.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) classificou o fato como “triste marca”. De acordo com os secretários, o Sistema Único de Saúde mostrou o quanto é necessário para a população. Mas a entidade alerta que há vários desafios pela frente.

“Precisamos estar atentos a todas as providências para aquisição de insumos essenciais ao sucesso da iniciativa, com seringas e agulhas. Neste momento, há um estoque suficiente para atender as demandas da primeira fase da iniciativa. É essencial, porém, que uma compra nacional, pelo Ministério da Saúde, seja realizada em quantidades que garantam a vacinação contra covid-19 e a reposição de estoques que necessitaram ser remanejados”, pontua a nota do Conass.

Brasil está entre países no escuro para a vacinação da Covid-19. 40 países já vacinam sua população. Israel e Emirados Árabes são os mais avançados na imunização

Ontem, em pronunciamento de rádio e TV, Pazuello afirmou que o governo garantiu a disponibilidade de 354 milhões de doses de vacinas, de três laboratórios, para imunização da população brasileira em 2021.

Além disso, o ministro afirmou que estão disponíveis atualmente cerca de 60 milhões de seringas e agulhas para iniciar a vacinação da população ainda neste mês de janeiro”, disse o ministro. “Temos, também, a garantia da Organização Pan-Americana de Saúde [Opas] de que receberemos mais 8 milhões de seringas e agulhas em fevereiro, além de outras 30 milhões já requisitadas à Abimo [Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos], a associação dos produtores de seringas.” 

O Conselho Nacional de Saúde (CNS), colegiado que reúne governos, gestores, profissionais e associações de pacientes, divulgou hoje nas redes sociais que a entidade lamenta o sofrimento de brasileiros e brasileiras.

“Nossas entidades manifestam o seu mais profundo pesar pelas vidas perdidas, muitas das quais evitáveis e resultado da inação e da irresponsabilidade dos mandatários da nação para o enfrentamento da pandemia. Sentimo-nos entristecidos pelo sofrimento incalculável dos milhões de brasileiras e brasileiros infectados e mortos pela covid-19 e de seus familiares.”

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