A pandemia e a luta de classes

Nesse momento de grande dificuldade para os trabalhadores, no auge da luta de classes, é muito importante a unidade da classe trabalhadora. A luta deve ser pelo início imediato da vacinação.

Ficar em casa não é uma opção para o trabalhador brasileiro. – Foto: Luiz Ribeiro / Flickr

Mesmo com a orientação dos especialistas sobre a importância do distanciamento social, as praias brasileiras amanheceram lotadas no primeiro domingo do ano. Um repórter perguntou para um banhista se ele não tinha medo do coronavírus. Ele respondeu que não, pois, desde o início da pandemia, pega ônibus lotado todos os dias para chegar ao trabalho.

Essa é a dura realidade da classe trabalhadora, que se arrisca todos os dias. Números revelados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Covid) mostram que, dos mais de 90 milhões de trabalhadores ativos no país, 7,9 milhões trabalham em suas casas e 879 mil deixaram de receber qualquer salário.

Ficar em casa, portanto, não é uma opção para o trabalhador brasileiro. O caso da primeira morte por Covid-19 no Rio de Janeiro é simbólico. Em março de 2020, uma empregada doméstica, de 63 anos, morreu ao contrair o vírus dos patrões que, por sua vez, pegaram a doença após uma viagem que fizeram a Itália.

Atualmente, a maior empresa do país, a Petrobras, vive um surto da doença. Entre os dias 03 de novembro e 04 de janeiro, foram confirmados 1.547 trabalhadores contaminados. Este número pode ser bem maior, pois, de acordo com o Sindicato da categoria, a atual diretoria da empresa não registra os casos da doença entre os trabalhadores terceirizados.

Na fábrica da FIAT, em Minas Gerais, vários trabalhadores já foram afastados com casos de Covid-19. O medo é constante entre os operários, mesmo com todas as medidas de segurança adotadas pela montadora. Mas a produção continua. O capitalismo transforma tudo em mercadoria, até mesmo a vida das pessoas.

Segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem, o Brasil responde por um terço das mortes globais. Ao menos 30 profissionais já morreram na primeira semana deste ano.

Em Minas Gerais, quase 800 profissionais da saúde morreram devido a complicações da Covid-19. Em Belo Horizonte, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, outros 3,4 mil estão de licença médica devido à exaustão. O resultado é a falta de mão de obra nos hospitais.

Por outro lado, o número de doentes por Covid-19 triplicou na rede pública da capital. A maioria dos doentes mora em vilas e favelas. O bairro Alto Vera Cruz, por exemplo, localizado na Zona Leste de BH, concentra o maior número de mortes (33) que, infelizmente, não param de aumentar.

O novo coronavírus já matou quase 210 mil brasileiros. Minas Gerais é o segundo Estado com o maior número de mortes. Em Belo Horizonte, quase 70 mil pessoas se infectaram e quase 2 mil morreram.

Para frear o avanço da doença, a prefeitura da capital decidiu fechar novamente o comércio não essencial. A medida é compreensível, mas como ficam os trabalhadores? Muitos estarão desempregados e, para piorar, sem o auxílio emergencial que foi suspenso.

Grandes redes de lojas ainda conseguem superar este momento. Já os pequenos e médios comerciantes, que são aqueles que mais empregam, serão prejudicados. Enquanto isso, Bolsonaro segue com o seu discurso negacionista e antivacina.

No século passado, muitos negaram a chamada gripe “espanhola”. Naquela época, a doença matou milhões de pessoas em todo o mundo. Mesmo assim, em nome do lucro, surgiram vozes que insistiam em negar doença. A história, como se vê, não é um processo linear e, às vezes, costuma retroceder.

O Ministério da Saúde, dirigido por um general do Exército, não consegue apresentar um plano nacional de vacinação. No restante do mundo, a imunização já começou. A Europa vive uma segunda onda da doença, com cidades inteiras fechadas.

Nesse momento de grande dificuldade para os trabalhadores, no auge da luta de classes, é muito importante a unidade da classe trabalhadora. A luta deve ser pelo início imediato da vacinação.

Outra frente importante é a manutenção do auxílio emergencial. Nada justifica o fim do benefício, sobretudo neste momento de piora da pandemia.

Compreendemos também que, com esse governo, os trabalhadores e o povo brasileiro vão continuar vivendo em dificuldade.

Por isso, VACINAÇÃO JÁ e FORA BOLSONARO.

Fonte: Portal CTB

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