Presidente da Frente Brasil-China critica ministro e Eduardo Bolsonaro

Segundo o deputado Fausto Pinato (PP-SP), o Brasil teve “a faca e o queijo na mão” para liderar corrida pela vacina com países do BRICS.

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo e o deputado Eduardo Bolsonaro - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O deputado Fausto Pinato (PP-SP), presidente da Frente Parlamentar Brasil-China e da Frente Parlamentar dos BRICS no Congresso, culpa o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) pelo fracasso do envio das doses da vacina Covishield, da Índia, para o Brasil e ainda pelas dificuldades em obter insumo da China para a produção de imunizantes pelo Butantan e Fiocruz em território brasileiro. O filho de Jair Bolsonaro, entusiasta de Donald Trump e hostil à China, preside a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

“Eu atribuo [responsabilidade] à ala ideológica liderada por Ernesto Araújo, Eduardo Bolsonaro e Olavo de Carvalho, que não foi em nenhum momento chamada à atenção pelo presidente Jair Bolsonaro”, disse o parlamentar em entrevista à Carta Capital.

Pinato também afirmou que o Brasil estava “com a faca e o queijo na mão” para assumir uma posição de liderança na corrida pela vacina, já que a presidência do Novo Bando de Desenvolvimento (NBD), o banco dos países BRICS, é ocupada por um brasileiro, Marcos Troyjo. “O Brasil teve a faca e o queijo na mão, pois temos a presidência do banco dos BRICS. Poderíamos ter liderado junto com a Rússia, a China e a Índia a fabricação de uma vacina a partir de um financiamento do banco”, destacou.

Além dos ataques à China, o Brasil se opôs à proposta da Índia de quebra de patentes das vacinas a fim de se alinhar a Donald Trump, na esperança de integrar a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Quando se fala que o país atendeu somente a linha norte-americana é um equívoco, pois não se atendeu linha nenhuma, já que o governo brigou até com os Estados Unidos após a eleição do Biden”, comentou Fausto Pinato.

Na tentativa de acelerar o envio do Ingradiente Farmacêutico Ativo (IFA) pela China, o deputado enviou na terça-feira (19) um ofício ao presidente chinês, Xi Jinping, em que pede ajuda para a liberação das exportações. O IFA é usado na fabricação dos imunizantes Coronavac e Oxford/Astrazeneca, que no Brasil são produzidos respectivamente pelo Instituto Butantan, em parceria com a chinesa Sinovac, e pela Fiocruz.

Para Pinato, a China não vai retaliar o Brasil, mas as sinalizações de Pequim apontam a necessidade de mudanças na política externa brasileira. “O governo chinês não vai nos perseguir. Tenho impressão que eles quiseram mostrar para o Bolsonaro que criar boa relação é importante. A China depende muito do Brasil e do nosso agronegócio. Agora, neste momento, eles não devem priorizar o Brasil porque são atacados com fake news pela extrema direita irresponsável. Acrescente aí o possível banimento da Huawei no 5G brasileiro”, disse.

À Carta Capital, o deputado expressou frustração por estar cobrando uma mudança de postura do governo sem sucesso “há um ano e meio”. “Somos taxados de comunistas. A partir de hoje todas as mortes que tiver no país é responsabilidade do ministro das Relações Exteriores e da ala ideológica do governo”, afirmou Pinato.

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