Câmara dos Deputados: 18 partidos defendem a prisão de Daniel Silveira

Em votação aberta e nominal, deputados vão apreciar a medida cautelar do STF contra o bolsonarista

Se depender da vontade da imensa maioria das bancadas na Câmara Federal, o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), preso em flagrante desde terça-feira após insultar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com discurso de ódio, permanecerá detido. Nesta sexta-feira (19), a Câmara decide o destino do parlamentar em sessão prevista para às 17 horas.

Em votação aberta e nominal, os deputados devem apreciar a medida cautelar do STF (Supremo Tribunal Federalo) contra o bolsonarista. A expectativa, até mesmo de aliados de Silveira, é pela manutenção da prisão. Segundo líderes partidários, 18 das 24 bancadas da Casa desejam referendar a decisão da Suprema Corte.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), escolheu o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) como relator do caso, e a inclinação é que o tucano seja favorável à manutenção da prisão. Neste cenário, seriam necessários 257 votos para derrubar o relatório de Sampaio e soltar Silveira. Lira chegou a tentar um acordo em que o STF decretaria medidas cautelares no lugar da prisão, e a Câmara se encarregaria da punição. Mas a tentativa não prosperou.

Conforme estimativa de aliados do deputado bolsonarista, o placar pela manutenção da prisão já está na casa dos 300 votos. Sendo assim, reverter a decisão do ministro Alexandre de Moraes é considerado um final improvável.

No vídeo de 19 minutos publicado nas redes sociais, o bolsonarista exaltou o AI-5, ato criminoso que endureceu ainda mais a ditadura militar e cassou direitos, como a suspensão do habeas corpus. Em um dos trechos mais agressivos, ele disse que gostaria de ver ministros da Corte “na rua levando uma surra”.

Na reunião de líderes partidários da Câmara, realizada nesta quinta-feira na residência oficial de Lira, apenas seis representantes afirmaram que a maioria de suas bancadas querem reverter a prisão: PSL, PSC, Novo, Podemos, Pros e PTB. Nos demais 18 partidos, o sentimento majoritário é de manter Daniel Silveira preso.

Mas, mesmo no PSL – rachado desde a saída de Jair Bolsonaro –, cerca 20 deputados mais distantes de Bolsonaro querem manter a decisão do Supremo. É o caso do presidente do partido, Luciano Bivar (PSL-PE), e da ex-bolsonarista Joice Hasselmann (PSL-SP).

De acordo com o rito estabelecido pelo regimento interno da Câmara, a votação deve ocorrer de forma aberta, com cada deputado declarando o seu voto. Caso tenha liberação judicial, Daniel Silveira também terá direito de se pronunciar para os colegas sobre o caso, garantindo a ele o direito de defesa. Há a previsão também de manifestações de deputados favoráveis e contrários à prisão.

Com informações do O Globo