Deputados vão insistir no auxílio de R$ 600 para dar dignidade ao povo

A Câmara aprovou, em primeiro turno, a PEC Emergencial com o valor de no máximo R$ 250 e ainda manteve o arrocho fiscal aprovado pelos senadores

Plenário virutal da Câmara dos Deputados (Foto: Maryanna Oliveira/Agência Câmara)

A Câmara dos Deputados começou nesta quarta-feira (10), em segundo turno, a votação da PEC Emergencial que impõe um auxílio emergencial pífio e ainda aumenta a rigidez fiscal com cortes de despesas. Para resgatar a dignidade da população, que sofre com os efeitos perversos da pandemia do coronavírus, os deputados da oposição vão brigar até o fim pelo auxílio de R$ 600.

A proposta foi aprovada, em primeiro turno, na madrugada desta quarta-feira, por 341 votos a 121. Pelos cálculos de alguns parlamentares, um terço dos que receberam auxílio de R$ 600 serão excluídos e os que sobrarem receberão no máximo R$ 250.

Não houve alteração do texto que foi aprovado no Senado. O governo poderá gastar no máximo R$ 44 bilhões por fora do teto de gastos e impõe mais rigidez na aplicação de medidas de contenção fiscal, controle de despesas com pessoal e redução de incentivos tributários.

O líder do PCdoB na Câmara, deputado Renildo Calheiros (PE), considera o texto da emenda um absurdo. “Se juntou Auxílio Emergencial com Ajuste Fiscal, isso não tem o menor sentido”, protestou.

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) diz que a proposta aprovada no primeiro turno reduz o auxílio emergencial, corta pela metade os que têm direito de receber o auxílio, prejudica policiais, professores, saúde e serviço de atendimento ao público. “Votei contra a redução do auxílio porque defendo o valor de R$ 600.”

A deputada Professora Marcivânia (PCdoB-AP) afirmou que votou contra porque a emenda reduz o auxílio, a quantidade de beneficiários e prejudica enormemente profissionais como professores e policiais. “É um ataque aos direitos e não apoia, devidamente, aos brasileiros que mais precisam do Estado nesse momento difícil”, criticou.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) alertou que a PEC destrói o serviço público brasileiro em plena pandemia e é contra o auxílio. “RENDA EMERGENCIAL DE 600 REAIS JÁ! Seguimos na luta para ampliar o valor. Essa PEC É UM CRIME CONTRA O BRASIL”, escreveu no Twitter.

“Diante da tragédia que já custou 265 mil vidas, a Câmara não pode ser insensível e dar o auxílio com uma mão e retirar com a outra. Defendemos o auxílio emergencial de 600 reais pelo tempo que for necessário para dar dignidade ao povo e enfrentar a pandemia. #auxilioemergencial”, postou o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

A vice-líder da minoria na Câmara, deputado Alice Portugal (PCdoB-BA), avalia que a PEC continua propondo medidas de austeridade fiscal que ameaçam o financiamento da saúde, da educação e outros serviços.

“O agravamento da pandemia tirou a vida de mais de 252 mil brasileiras/os com 1.500 mortes a cada dia, atingindo com força as camadas mais vulnerabilizadas da população. A PEC 186 retira direitos dessa população!”, protestou no Twitter o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA).

“Nada de emergencial”

Para o líder do PT, deputado Bohn Gass (RS), a emenda não tem nada de emergencial. “Congelar salário mínimo e retirar recursos da saúde e educação, não é saída, é crime! Mas 341 deputados aprovaram. Bem, como dizia Darcy RIbeiro, eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.”

A deputada Talíria Petrone (RJ), líder do PSOL na Casa, diz que a decisão dos parlamentares vem num momento em que o país enfrenta uma situação de esgotamento do setor da saúde, com a exaustão dos profissionais em várias cidades. “Precisamos ampliar o investimento no SUS! Vamos manter a pressão para derrotar a PEC 186 hoje em 2° turno! #600SemDesmonte”, postou na rede social.

Já o líder do PDT na Casa, Wolney Queiroz(PE), afirmou que o governo quer aprovar a “PEC da Granada”, que destrói o serviço público, precariza o trabalho e acaba com os investimentos. “Querem moeda de troca por um auxílio de R$ 250, valor imoral para esse momento. O PDT vota não à PEC 186 e defende o auxílio de R$ 600”, disse.

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