Empresários se unem a Centrão em ultimato a Bolsonaro, diz jornal

Segundo Estadão, encontros da cúpula do Congresso com empresários, representantes de bancos e do mercado financeiro resultou em um movimento político pela intervenção nos rumos do governo de Jair Bolsonaro.

Rodrigo Pacheco, Arthur Lira e Bolsonaro - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O documento que ficou conhecido como carta aberta dos economistas, assinada por ex-ministros da Fazenda, ex-presidentes do Banco Central e medalhões do empresariado e do mercado financeiro, foi o primeiro sinal público de descontentamento de uma das principais bases de sustentação de Jair Bolsonaro. Agora, uma matéria publicada neste fim de semana pelo Estadão mostra os bastidores desse descontentamento e a aproximação entre o ente abstrato chamado de mercado e o Centrão.

Segundo a apuração de Felipe Frazão e André Shalders, uma série de nove encontros da cúpula do Congresso com empresários, representantes de bancos e do mercado financeiro resultou em um movimento político pela intervenção nos rumos do governo de Jair Bolsonaro.

Há uma preocupação com o agravamento da pandemia, que torna a situação cada vez mais insustentável na economia. A situação chegou a um ponto em que os presidentes da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) têm colocado o impeachment como possibilidade se as conversas com o governo fracassarem.

O respaldo do setor econômico levou Lira e Pacheco a subirem o tom com Bolsonaro. Pouco após a posse do novo ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga, Lira disse que estava “apertando o sinal amarelo” e que os “remédios políticos” do Congresso são “conhecidos”, “amargos” e “alguns fatais”. Pacheco, por sua vez, passou a pedir com desenvoltura a cabeça do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Nesta segunda-feira (29), o ministro decidiu entregar o cargo, segundo o jornal O Globo.

Não por coincidência, a saída de Araújo era uma das exigências do empresariado que tem se encontrado com os presidentes da Câmara e do Senado, ressalta o Estadão. Outra cobrança urgente, esta ainda pendente, é a demissão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A avaliação do mercado é que Araújo atrapalha as negociações por vacinas e insumos da Índia e China, enquanto a política antiambiental de Salles é vista como um obstáculo na relação com Washington, especialmente agora que o Brasil mira as vacinas excedentes dos Estados Unidos.

Os empresários relataram que a crise sanitária bloqueia investimentos externos e atinge diretamente os planos de abertura de capital de empresas, o IPO. “Quem quer fazer IPO não consegue ter grandes resultados, porque ninguém tem segurança de botar dinheiro no Brasil, principalmente pela condição sanitária”, disse o deputado Dr. Luizinho (Progressistas-RJ), presente ao encontro.

Segundo o Estadão, jantares como este ocorrem com regularidade. Os encontros são promovidos uma vez por mês por nomes como Washington Cinel, empresário do ramo da segurança privada, e João Camargo, filho do ex-deputado José Camargo.

Lira e Pacheco também se reuniram com um grupo de empresários do setor de saúde e conversaram sobre a escassez de sedativos e analgésicos e medicamentos usados para intubação de pacientes. Além do SUS, a escassez de insumos e materiais atinge a rede privada. Ainda segundo o Estadão, os presidentes da Câmara e Senado têm Febraban, a Fiesp e participado de agendas fechadas em São Paulo com nomes de peso.

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