CPI foca nos casos de corrupção na compra de vacina pelo governo Bolsonaro

Nesta terça-feira (13), a diretora da Precisa Medicamentos Emanuela Medrades dará explicação sobre a intermediação, feita pela empresa entre a famarcêutica Bharat Biorech e o Ministério da Saúde, para a aquisição da vacina indiana Covaxin

(Foto;Leopoldo Silva/Agência Senado)

Nesta semana, a CPI da Covid tem uma agenda focada nas investigações de irregularidades na compra de vacina pelo governo Bolsonaro. Nesta terça-feira (13), a diretora da Precisa Medicamentos Emanuela Medrades dará explicação sobre a intermediação, feita pela empresa entre a famarcêutica Bharat Biorech e o Ministério da Saúde, para a aquisição da vacina indiana Covaxin. Ela ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de habeas corpus para não comparecer ao depoimento e se for obrigada a ir permanecer em silêncio.

O governo Bolsonaro fechou um contrato com a empresa de R$ 1,6 bilhão para aquisição de 20 milhões de doses da vacina pelo preço unitário de US$ 15 a dose, a mais cara comprada pelo país. Um detalhe: as negociações duraram apenas três meses enquanto a Pfzier levou quase um ano para fechar acordo.

Nesta quarta-feira (14), será ouvido o reverendo Amilton Gomes de Paula. Em março deste ano, o religioso recebeu aval do Ministério da Saúde para negociar a compra de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca em nome do governo brasileiro. Ele teria enviado proposta de venda de vacina ao ministério em nome de uma entidade não-governamental chamada Secretaria Nacional de Assistência Humanitária (Senah), conforme informou o depoente Roberto Dias na quarta-feira (7) à CPI. Ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias acabou preso após seu depoimento.

O  vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), requereu a convocação de Amilton, afirmou que o valor das vacinas negociadas pelo reverendo era de US$ 17,50. “Três vezes mais do que o Ministério da Saúde pagou em janeiro a um laboratório indiano. O valor também é bem maior do que o mencionado pelo policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que se identifica como intermediário entre a Davati e o Ministério da Saúde na mesma negociação de 400 milhões de doses. Ele informou que o valor da vacina vendida era de US$ 3,50”, argumentou o parlamentar.

De acordo com Randolfe, a CPI vai ouvir na quinta-feira (15) o coronel Marcelo Blanco, ex-diretor-substituto de Logística do Ministério da Saúde, e José Ricardo Santana, ex-diretor da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ambos teriam participado da reunião em um restaurante sobre venda de vacinas. A presença deles foi citada tanto por Roberto Dias quanto por Luiz Paulo Dominguetti.

Dias disse que no jantar de 25 de fevereiro, no restaurante Vasto, em Brasília, o coronel Marcelo Blanco o viu no restaurante e apresentou uma proposta de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca. Blanco estaria acompanhado de Luiz Paulo Dominguetti. Dias informou à CPI que a proposta já havia circulado pelo ministério. E acrescentou ter informado a Blanco que só trataria do assunto em reunião formal no ministério, durante o expediente de trabalho.

Crime de falsidade

Durante o depoimento desta sexta, o William Santana exibiu e-mails e documentos enviados pela Precisa Medicamentos, entre eles o que, segundo a senadora Simone Tebet (MDB-MS), corresponde ao mesmo apresentado pelo servidor Luis Ricardo Miranda e que foi declarado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, como falso. 

Para o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), o ministro cometeu “crime de falsidade” ao tentar confundir a investigação e defendeu a sua convocação para prestar depoimento à CPI. Omar informou que a convocação será votada na terça-feira (13) e que “está chegando a hora” de a CPI promover uma acareação entre Luis Miranda e Onyx Lorenzoni. 

Com informações da Agência Senado

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