Ameaça de golpe do ministro de Bolsonaro é inaceitável, dizem deputados

Lideranças na Câmara dos Deputados cobram posição do presidente da Casa, Arthur Lira, e vão convocar Braga Neto para dar explicações

O ministro da Defesa, Braga Neto (Foto: Sérgio Lima)

A ameaça golpista, que segundo o jornal O Estado de São Paulo, o ministro da Defesa, Braga Neto, teria feito ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), é inaceitável e precisa de uma resposta institucional imediata em defesa da democracia. Lideranças da Casa querem a convocação do general para dar explicações. Recentemente, Bolsonaro já havia ameaçado a não realização de eleições caso o parlamento não aprovasse o voto impresso.

No mesmo sentido, segundo reportagem do Estadão, Braga Neto usou um interlocutor político para mandar um recado ao presidente da Câmara no último dia 8. “O general pediu para comunicar, a quem interessasse, que não haveria eleições em 2022, se não houvesse voto impresso e auditável. Ao dar o aviso, o ministro estava acompanhado de chefes militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica”, diz a reportagem.

A vice-líder da oposição, Perpétua Almeida (PCdoB-AC), afirmou: “Imagino que o presidente da Câmara virá a público e dirá que nenhuma autoridade do Estado teria coragem de fazer tamanha ameaça contra a democracia e também exigirá pública e duramente que isso seja esclarecido.”

A vice-líder da minoria, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), diz que, se for verdade, o parlamento brasileiro precisa reagir à altura. “O presidente da Câmara e os lideres devem reafirmar a democracia, a autonomia do poder legislativo e a Constituição. Esta ameaça às vésperas da votação sobre o voto impresso é mais uma vez uma pressão indevida e uma indicação de  ruptura institucional. Precisamos por um ponto final nesta história”, cobrou.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) lembrou que a nota das Forças Armadas intimidando o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), de conteúdo alheio às suas funções, já acenava para uma vontade de golpe. “Agora o Estadão publica a informação de um dos presentes na reunião em que a ameaça golpista foi feita. O esforço em defesa da democracia precisa ser redobrado!”, afirmou.

O vice-líder do PCdoB, Orlando Silva (SP), acredita que o primeiro efeito prático da ameaça de quartelada do ministro Braga Netto deve ser a multiplicação da adesão aos atos do #24JForaBolsonaro.

“Todos e todas que defendem a democracia devem ir às ruas, unindo a frente ampla pelo Brasil. Confio que presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal seguirão altivos na defesa da democracia e do parlamento, que não aceitará cabresto de ninguém. O Legislativo é soberano para decidir suas pautas e assim o fará, independentemente de pressões antidemocráticas”, disse o deputado.

Convocação

O líder da oposição na Casa, Alessandro Molon (PSB-RJ), classificou a situação como “extremamente grave”. “Não cabe ao ministro da Defesa querer impor ao parlamento o que deve aprovar, nem estabelecer condições para que as eleições aconteçam. O papel constitucional das Forças Armadas é garantir os poderes constitucionais, e não subordiná-los. Vou propor que a Câmara convoque o Ministro em Comissão Geral para esclarecer os fatos”, antecipou.

Para o líder da minoria, Marcelo Freixo (PSB-RJ), os poderes Legislativo e Judiciário não podem admitir essa nova ameaça. De acordo com ele, Braga Netto age como  menino de recado de um delinquente golpista. “As Forças Armadas não são o poder moderador da República nem têm autoridade para interferir nas eleições de 2022”, criticou. “Os atos de Braga Netto são ilegais e rebaixam institucionalmente as FFAA. Elas deveriam servir ao Estado brasileiro, como manda a Constituição, não a um governo enfraquecido e desesperado que as utiliza como arma para ameaçar a democracia e tentar demonstrar uma força que não tem”, completou.

O líder do PT, Bohn Gass (RS), recomendou a Braga Neto que se recolha a seus deveres constitucionais, explique o nepotismo dos militares e a corrupção do governo. “Vamos convocá-lo. Terá de dar explicações ao Congresso. Sua fala atenta contra a democracia”, diz.

“O Ministro da Defesa, Braga Netto, disse ao presidente da Câmara, Arthur Lira, que só haverá eleições se o voto impresso for aprovado. O governo federal sabe que o Congresso Nacional vai derrotar essa proposta e estão desesperados. Não aceitaremos golpismo!”, disse a líder do PSOL, Talíria Peltrone (RJ).

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