Quase metade dos brasileiros vive em insegurança alimentar, diz IBGE

Insegurança alimentar atinge cerca de metade dos brasileiros pela inflação de alimentos, de programas de segurança alimentar, estoques públicos, desemprego e falta de programas sociais.

Insegurança alimentar atinge cerca de metade dos brasileiros pela inflação de alimentos, desemprego e falta de programas sociais.

A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada nesta quinta-feira (19) pelo IBGE, mostrou que, mesmo antes da pandemia, 41% da população brasileira viviam sem ter a certeza de levar para casa comida em quantidade e qualidade suficientes. Para efeito de comparação, nesse período da pesquisa, a taxa média de desemprego era de 12%, enquanto, hoje, está em torno de 14,5%.

A pesquisa mediu essa preocupação em valores. Segundo o IBGE, em 2018, no Brasil, cada pessoa da família gastava em média R$ 209 por mês com alimentação. A pesquisa perguntou quanto os brasileiros precisariam gastar para comer o básico. A diferença entre o que está no carrinho e o que falta é de 66,7%. As respostas indicaram que o valor por pessoa teria que ser de R$ 348.

A POF é uma pesquisa muito detalhada, feita a cada cinco anos. Portanto, esses dados de 2018 refletem a situação em que o Brasil entrou na pandemia. Especialistas dizem que, desde então, o problema se agravou e atingiu um número cada vez maior de brasileiros.

Supermercados vendem restos de alimentos que eram descartados, como ossos e pés de galinha

Os dados da pesquisa, referentes a 2017 e 2018, consideram o valor de tudo o que foi consumido como alimentação pelas famílias, incluindo o que não foi adquirido com recursos financeiros, como alimentos recebidos por doações e obtidos através de produção própria.

De acordo com o IBGE, quatro em cada dez brasileiros, 41% da população, conviviam com algum grau de restrição para acesso a uma alimentação em quantidade e variedade desejadas no período da pesquisa. Nesse grupo em situação de insegurança alimentar, 70% dos chefes de família eram negros. Entre as famílias que passavam fome, aproximadamente 75% tinham como referência do lar pessoas pretas ou pardas.

A pesquisa também mostra que, no Brasil de antes da pandemia, os problemas financeiros iam muito além do supermercado. Quase metade da população (46,2%) vivia em 2018 numa família que tinha alguma conta em atraso, principalmente as despesas de água, luz ou gás (37,5%).

Em todo o País, 72,4% dos brasileiros viviam em famílias com alguma dificuldade para pagar suas despesas mensais, aponta a pesquisa do IBGE.

A situação é mais grave entre as pessoas que vivem em situação de insegurança alimentar, aquelas que convivem com a incerteza quanto ao acesso de comida no futuro ou que já apresentam redução de quantidade ou qualidade dos alimentos consumidos. Nesse grupo, a despesa mensal com alimentos por pessoa é de R$ 153,49, o equivalente a cerca de R$ 5,10 por dia. No entanto, essas famílias consideram que o ideal para garantir uma alimentação adequada seria R$ 271,94 por pessoa a cada mês, ou seja 77,2% mais.