Educar contra o fascismo, por Rosana Alves

Emancipação não é uma condição individual, mas coletiva da humanidade

Só a educação salva? Somente a educação transforma? A resposta a essas perguntas é não. Aqui estamos falando da educação formal, aquela que ocorre na escola. Sabemos que “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.”.

No entanto, geralmente, quando falamos de educação estamos nos referindo ao processo formal/institucional de educação, que ocorre numa instituição criada pela burguesia. Como já mencionei em outro momento, a escola surge em meio ao combate ao absolutismo e a escravidão, nasce progressista, pública, defendendo os princípios de uma educação universal, gratuita e laica. A partir do momento em que essa mesma burguesia deixa de ser classe revolucionária, assumindo o papel de classe dominante hegemônica e conservadora, a escola passa a ter que cumprir outro papel – o de instrumento de manutenção da classe dominante.

No campo da educação, é comum o questionamento sobre qual é a função social da escola. Segundo Gramsci, a escola deve instruir, pois a instrução forma os indivíduos, segundo uma determinada concepção de ser humano e sociedade. Dessa forma, podemos entender que a escola, melhor, o currículo dela ensina e instrui de acordo com uma determinada visão de mundo, a visão da classe hegemônica que está no poder.

Não há ilusões. A burguesia não irá elaborar uma educação emancipadora, não será a escola burguesa e capitalista que transformará o homem. Por isso, dizemos que a educação sozinha não transforma. Na sociedade burguesa, precisamos trabalhar nas contradições. Os currículos atuais são instrumentos de dominação e alienação da classe trabalhadora. Em outras palavras, o problema vai além da questão pedagógica  dentro de uma sociedade capitalista não é possível uma educação emancipadora, mas é necessário criar condições para isso, com práticas emancipadoras. Precisamos organizar a resistência, entender a escola como instrumento de luta, trabalhar na perspectiva contra hegemônica, reafirmar o nosso compromisso de classe.

Educar contra o fascismo é lutar contra o obscurantismo, é entender a escola como agente socializadora do saber científico. Não podemos relativizar a transmissão do conhecimento. Nos dias atuais, o obscurantismo é aliado do neoliberalismo, que precisa destruir a produção e a difusão do conhecimento para, assim, destruir valores fundamentais dos Estados de Direitos.

A sociedade liberal garante o saber pragmático, precisamos possibilitar o acesso ao conhecimento sistematizado, o acesso à verdade, pois só assim se constrói a humanidade, que é ensinada. É com o conhecimento comprometido com uma visão de mundo ampla que se constituirá uma sociedade comprometida com a emancipação. Entende-se, assim, que a emancipação não é uma condição individual, mas coletiva da humanidade e enquanto houver exploração de uma classe sobre a outra, não há emancipação.

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