Corrupção no MEC: Polícia Federal prende ex-ministro de Bolsonaro

Pastores tinham influência no MEC desde janeiro de 2021, quando passaram a direcionar verbas para construção ou reforma de escolas, bem como para aquisição de equipamentos

Bolsonaro com o ex-ministro Milton Ribeiro e pastores acusados de corrupção no MEC

Uma operação da Polícia Federal (PF), deflagrada na manhã desta quarta-feira (22), terminou com a prisão de Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro. Encontrado em Santos (SP), Ribeiro é acusado de liderar um esquema de tráfico de influência e corrupção com verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

“Foram cumpridos cinco mandados de prisão e 13 de busca e apreensão nos estados de Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal”, informou a TV Globo. Além de Ribeiro, a ação tem como alvo pastores suspeitos de participarem da quadrilha.

Há mandados de prisão contra os religiosos Gilmar Santos e Arilton Moura, que atuavam como lobistas no “balcão de negócios” do MEC, mesmo sem terem cargos federais. Em troca de propinas, eles direcionavam verbas do ministério. Santos já foi preso, enquanto Moura não foi localizado.

Reportagem do Estadão, publicada em março, denunciou o “gabinete paralelo” operado por pastores dentro do MEC. Áudio revelado posteriormente apontou que, segundo Milton Ribeiro, o próprio Bolsonaro fez um “pedido especial” para liberar recursos da Educação a prefeituras indicadas por Gilmar Santos.

No áudio, Ribeiro chegou a confessar o crime: “A minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”. O escândalo o derrubou do ministério.

Segundo a imprensa, os pastores tinham influência no MEC desde janeiro de 2021, quando passaram a direcionar verbas para construção ou reforma de escolas, bem como para aquisição de equipamentos. “Os pastores gozavam de trânsito livre no governo, organizavam viagens do ministro com lideranças do FNDE e intermediavam encontros de prefeitos na própria residência de Ribeiro. Ambos tinham em um hotel de Brasília uma espécie de QG para negociação de recursos”, aponta a Folha.

Além das matérias na imprensa, a operação Acesso Pago se baseia em documentos, depoimentos e relatórios da CGU (Controladoria-Geral da União).

Autor