O desastroso topo da lista

O país foi alijado de fóruns multilaterais e do próprio debate da crise sanitária, na busca de soluções coletivas.

Curva epidêmica de países mais afetados mostra o Brasil como o único que ainda não teve queda consistente de registro de casos.

Na última terça-feira (19mai20), o Brasil bateu novo recorde, passou a casa dos mil e registrou 1.179 mortes pelo Coronavírus em um só dia. Dava, assim, a largada pra assumir a posição de epicentro mundial dessa pandemia, um feito que muitos cientistas brasileiros e de várias partes do Planeta vinham prevendo há algum tempo, sem que fossem ouvidos pela cúpula do governo que aí está.

A sociedade está um tanto desorientada, pois não há uma política nacional, unitária, a ser seguida como proteção contra a doença. O que salva são as diretrizes locais nos estados e municípios, por conta das ações de governadores e prefeitos, num esforço louvável, mas esbarra na dúvida. Em menos de dos meses o peesidente da República demitiu dois ministros da Saúde, porque sabiam demais.

Tresloucado, o presidente segue contra a maré, pregando e agindo contra o isolamento das pessoas, comprovadamente a forma mais eficaz de combater o vírus letal, até o momento. Chegou a editar e publicar no Diário Oficial da União um decreto que deu caráter de essenciais às atividades de salões de beleza, barbearias e academias de ginástica e pressionou os chefes dos executivos locais, mas esses não acataram a determ8nação.

O fato é que, bem ou mal, o que está sendo passado à cidadania é uma mensagem duvidosa, por conter informações antagônicas, que retiram a seriedade da crise. Muita gente, até por comodidade, segue o caminho seguido pelo presidente e vai às ruas, pra trabalhar ou pra rosetar – e assim se contamina, baixa hospital ou morre. Reforça as estatísticas que, com seriedade, levam tristeza e desgraça a milhares e milhares de famílias do País inteiro.

Por mais que o governo federal esteja desacreditado, não é fácil aceitar que vivemos em um país sem governo, pois os meios de comunicação social divulgam medidas governamentais, que espalham dúvidas e desesperança. Com esse quadro, cresce um sentimento favorável ao impeachment do presidente da República. Mas, de novo, vem junto a desesperança, pois, de imediato, quem assumiria a chefia do governo e do estado seria um obscuro general Mourão, que não traz esperança e confiança.

Essa situação leva ao mundo inteiro – outros governos, entidades internacionais, empresários, ONGs e agremiações de todo tipo – um sentimento de desconfiança em relação ao Brasil. O país foi alijado de fóruns multilaterais e do próprio debate da crise, na busca de soluções coletivas. A prefeitura de Nova Iorque, por exemplo, promoveu um amplo debate global, via Internet, mas nem convidou o presidente da República brasileiro.

Vale lembrar que até outro dia o Brasil era presença obrigatória em espaços que se abriam ao debate sobre temas relacionados do futuro da Humanidade, em todos os cantos do mundo. E se destacava em entidades de peso, como o BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), cuja meta original era reunir “potências emergentes”, mas perdeu o ímpeto, pois o Brasil não se enquadra mais nesse perfil.

Muito ao contrário, pois agora segue a galope pra ocupar o topo da lista dos mais afetados por esse vírus maldito que aflige a Humanidade inteira. Tanto isso é grave que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou que irá cancelar todos os voos daquele país ao Brasil, pois não quer levar essa doença daqui pra lá e, assim, deixar o topo da lista, hoje ocupado por eles.

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Portal Vermelho
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