Queda do PIB é tragédia bolsonarista anunciada

Pibinho Bozo

Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (29), sobre o Produto Interno Bruto (PIB) são uma espécie de crônica anunciada. A queda de 1,5% no primeiro trimestre de 2020 na comparação com o último trimestre do ano anterior é uma amostra da orientação econômica adotada com a marcha golpista.

Havia já os efeitos da crise internacional, detonada em 2007-2008, mas a opção por menos Estado na economia foi determinante para os efeitos que castigam sobretudo a classe trabalhadora. O desemprego evoluiu rapidamente, chegando à dimensão de tragédia social. A pandemia do coronavírus piorou consideravelmente esse cenário, mas o essencial decorre da forma como o Estado passou a ser administrado.

Bolsonaro se elegeu brandindo seu programa para a economia, capitaneado por Paulo Guedes, como a parte mais importante do que seria seu governo. Em torno dele, houve a união de forças que impulsionou a sua candidatura. Até hoje, em plena crise política, esse é um ponto gravitacional da coalização que deu a vitória a Bolsonaro, com poucas críticas à sua essência.

Seja como for, esse é um componente determinante da tragédia nacional representada pelo bolsonarismo. Ele impede uma ação efetiva do Estado para socorrer a monumental e crescente demanda por atendimento à saúde com a Covid-19, ao mesmo tempo que amarra o Estado em políticas que impedem o atendimento às necessidades das empresas para garantir emprego e salário.

Essa política econômica – a espinha dorsal do governo Bolsonaro –, portanto, se desdobra em consequências para crise sanitária que assola o país. O número de mortos e de tratados precariamente pode ser contabilizado nesse âmbito. Se não bastasse tudo isso, Bolsonaro ainda faz questão de alimentar a crise política, concentrando seu governo na meta autoritária de romper com o Estado Democrático de Direito.

Com esse governo, o Brasil enfrenta uma crise tríplice: sanitária, econômica e política. E há o agravante de que não existe nenhuma perspectiva de melhora, mesmo após o controle da Covid-19. A política econômica em vigor prevê o aprofundamento das medidas que concentram o Estado no papel de administrador do circuito que transfere recursos públicos dos setores essenciais – como políticas sociais e de investimentos em infraestrutura – para a farra financeira.

A reiterada pregação de Paulo Guedes sobre privatizações selvagens e “reformas” neoliberais comprova esse diagnóstico. O Brasil precisa do Estado agindo como provedor das demandas emergenciais da Covi-19 e como ente estruturante do desenvolvimento nacional. Mas para isso é preciso, em primeiro lugar, pôr um ponto final no governo Bolsonaro.