Na palma da mão, o jogo da consciência

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Abra a palma de sua mão e pergunte:
Cadê a mata que estava aqui?
O fogo queimou!
Cadê o fogo?
A água não apagou…
Cadê a água?
A boiada passou, o pasto queimou,
a água secou…
e o boi não bebeu!

Cadê os pássaros e os ninhos?
Cadê os bichos?
O fogo queimou!
Patas queimadas,
asas e rabinhos tão chamuscados…
pântanos perdidos…

Por onde estarão os bichos fugidos,
perdidos entre os braseiros?
Quem achará os bichos e os bichinhos?
Dos passarinhos queimaram-se os ninhos,
ovos, filhotinhos…

E cadê o homem?
O homem queimou o mundo,
queimou as matas
queimou tudo, expulsou inocentes
e fugiu… E o que restou?!
Eis aí! Apenas:
o homem solitário e a natureza morta…

Abra sua mão e recomece outra vez
contando nos dedos,
dando voz à consciência,
repetindo as palavras:
cadê, cadê? repetindo tudo,
questionando o agora
p’ra não errar de novo!…

(São Paulo, 08 de novembro/2020).

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