Os parlamentares gregos aprovaram na noite de ontem (11) o orçamento nacional do próximo ano, que prevê corte de 9,5 bilhões de euros nos gastos públicos. Os deputados rebeldes da coalizão do primeiro-ministro Antonis Samaras, que haviam se recusado a aprovar o programa de austeridade do governo na quarta-feira (7), mudaram de posicionamento e seguiram o tom de seus partidos.
Os protestos populares não impediram o parlamento grego de aprovar na noite desta quarta (7) um novo pacote de austeridade do FMI (Fundo Monetário Internacional), que prevê um desembolso de 13,5 bilhões de euros (cerca de R$ 35 bilhões) em troca de medidas impopulares de cortes e arrocho. Apesar da aprovação, a coalizão do primeiro-ministro Antonis Samaras, do partido Nova Democracia, de centro-direita, perdeu fileiras e começa a mostrar sinais de fraqueza.
Milhares de trabalhadores saíram às ruas na terça-feira (6) na Grécia. Os protestos fazem parte da nova greve geral convocada pelas duas principais centrais sindicais do país para protestar contra as medidas de “austeridade” impostas pelo governo a mando dos credores internacionais.
Por Altamiro Borges, em seu blog
As próximas semanas serão marcadas por inúmeros protestos em toda a Europa. Ao ver seu sistema de bem-estar social se esvair diante da crise internacional e da postura conservadora de seus governos, a população europeia sairá às ruas durante o mês de novembro para se posicionar de maneira firme contra as medidas de “austeridade” que vêm sendo tomadas há mais de um ano.
Sob uma onda de greve envolvendo várias categorias, o Parlamento da Grécia discute nesta quarta (7) o plano de austeridade, que é criticado pelas entidades sindicais. Pelo plano do governo do primeiro-ministro Andonis Samaras, devem ser impostos cortes de salários e de benefícios sociais.
Cartazes espalhados por toda a cidade, a cada poste, avisam que Atenas vai parar pelas próximas 48 horas. Manifestações vão tomar conta da praça Omonia, norte da capital grega, e Syntagma, no centro, em protestos contra o pacote de austeridade do FMI (Fundo Monetário Internacional), que foi apresentado ontem ao parlamento e deve ir à votação nesta quarta-feira (7).
Gritos cortavam a fumaça dos cigarros pelos corredores do Sindicato dos Jornalistas dos Diários de Atenas (Esiea, na sigla em grego). Reunidos, representantes dos principais veículos de comunicação do país discutiram a condução da greve da categoria, que paralisou novamente as redações do país nesta segunda-feira (5).
No fim de semana a chanceler Angela Merkel pediu mais 5 anos de austeridade à Europa que, por sua vez, se prepara para mais dias de convulsão. Neste começo de semana o Parlamento grego vota mais uma fatia (13,5 bilhões de euros) do pacote de cortes imposto ao país como condição para continuar a receber a “ajuda” da UE – “ajuda” cuja maior parte apenas transita por Atenas em direção aos credores internacionais.
Por Flávio Aguiar, direto de Berlim.
Em pronuncimaneto à imprensa, neste sábado (3), a farmacêutica alemã Merck comunicou que não entregará mais o medicamento Erbitux, para tratamento do câncer, em hospitais gregos.
O Tribunal de Contas da Grécia declarou nesta quinta-feira (1°) que diversas medidas de austeridade anunciadas pelo governo são inconstitucionais. De acordo com a sentença, as ações de combate à crise são contrárias ao princípio da igualdade, à proteção do trabalho e até mesmo à dignidade humana.
Os trabalhadores municipais de Atenas anunciaram nesta quarta (31) uma greve durante o fim de semana em protesto contra as medidas de austeridade que o executivo enviou ao Parlamento.
O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, declarou na segunda-feira (29), que a Alemanha recusa um novo perdão de dívida à Grécia, pois isso contraria as cláusulas da Constituição a respeito das finanças governamentais e prejudica o prestígio de crédito do governo grego, podendo mesmo dificultar uma futura resposta, por parte da Alemanha, à crise de dívida europeia.