Sheinbaum reage a Trump e cobra combate ao tráfico nos EUA

México rejeita ameaças tarifárias, nega entrada de tropas estrangeiras e diz que Washington deve controlar o fluxo de armas e prender traficantes em seu território

A presidente do México, Claudia Sheinbaum | Isaac Esquivel

A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, rechaçou nesta segunda-feira (14) as novas ameaças comerciais feitas por Donald Trump, afirmando que seu governo não aceitará pressões que coloquem em risco a soberania nacional.

Em sua tradicional coletiva matinal, Sheinbaum reafirmou a soberania nacional diante da pressão dos Estados Unidos e responsabilizou diretamente Washington pelo agravamento da crise do fentanil, exigindo ações mais enérgicas contra o tráfico de armas e o consumo de drogas no próprio território norte-americano.

A manifestação ocorre após a Casa Branca ter enviado, no sábado (12), uma carta oficial ao governo mexicano ameaçando impor tarifas de 30% sobre produtos do país vizinho a partir de 1º de agosto. 

No documento, Trump acusa o México de “não fazer o suficiente” para impedir o tráfico de fentanil e a migração irregular rumo aos EUA — retomando a retórica agressiva que já havia usado em ocasiões anteriores, apesar dos compromissos firmados no Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC).

“O México está fazendo a sua parte nessa questão, e os Estados Unidos devem fazer a deles”, afirmou Sheinbaum. “Insistimos no controle do fluxo de armas dos EUA para o México, na prisão de pessoas envolvidas no tráfico de drogas em território americano e nas responsabilidades que pertencem aos Estados Unidos.”

Trump ameaça tarifas mesmo com negociações em andamento

Apesar das negociações bilaterais em curso na área de segurança e migração, Trump elevou o tom no final de semana ao ameaçar seu principal parceiro comercial. Cerca de 80% das exportações do México têm como destino os EUA, com um volume de intercâmbio que ultrapassa os US$800 bilhões anuais.

Desde que reassumiu a presidência em janeiro deste ano, Trump já recorreu duas outras vezes à ameaça de tarifas como forma de pressionar o México. No entanto, em nenhum dos casos anteriores levou adiante as medidas, utilizando o discurso como ferramenta de barganha nas mesas de negociação.

Analistas alertam que, caso implementadas, as tarifas podem atingir não apenas a economia mexicana, mas também setores produtivos e consumidores nos Estados Unidos, com aumento da inflação e impacto direto sobre cadeias produtivas integradas.

“Coordenação, colaboração, mas não subordinação”

Em tom diplomático, Sheinbaum afirmou que seu governo continuará atuando com “serenidade e firmeza” diante da retórica de Washington, sem abrir mão da autonomia nacional. “A soberania do país não é negociável”, declarou. 

“É muito importante, porque não é retórica quando dizemos: coordenação, colaboração, mas não subordinação”, disse.

A presidenta destacou que essa posição é transmitida com clareza tanto nas declarações públicas quanto nas mesas de trabalho com representantes do governo dos EUA. “Não são apenas palavras, é isso que falamos com o Departamento de Estado e outras instituições norte-americanas”, afirmou.

Sheinbaum também fez questão de enfatizar que o México não aceitará a presença de forças estrangeiras em seu território. 

“Qualquer acordo de segurança com Washington não incluirá a entrada de forças de segurança dos EUA no México”, reiterou, citando essa cláusula como linha vermelha para qualquer cooperação bilateral.

Acordo de segurança prestes a ser firmado

Apesar das ameaças de Trump, Sheinbaum confirmou que os dois governos estão próximos de concluir um novo acordo de cooperação na área de segurança. 

Segundo ela, o pacto deve ser assinado antes de 1º de agosto, mesmo prazo estabelecido pela Casa Branca para a entrada em vigor das tarifas.

O acordo inclui troca de informações de inteligência e coordenação de ações operacionais — cada qual em seu território — no combate ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e aos grupos armados transnacionais. 

“Foram acertados esquemas de trabalho e negociação até o dia primeiro de agosto”, explicou a presidenta. “Sempre mantendo a calma, trabalhamos com base no diálogo, na cooperação e na dignidade nacional.”

Sheinbaum também mencionou a apreensão recente de granadas de mão ilegais como prova da gravidade do problema. 

“Como essas granadas chegam aos EUA e depois entram no México?”, questionou, em referência à responsabilidade norte-americana sobre o tráfico de armamentos. “Eles têm que fazer a parte deles no controle de armas ilegais rumo ao México.”

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