Crise global e soberania marcam debate ao 16º Congresso do PCdoB
Dirigentes, militantes e simpatizantes do PCdoB abrem o Ciclo de Debates, em São Paulo, rumo ao 16º Congresso
Publicado 29/07/2025 10:42 | Editado 29/07/2025 18:22
O Sindicato dos Engenheiros, no coração de São Paulo, foi palco, nesta segunda-feira (28), da primeira mesa do ciclo de cinco debates que aprofundam o Projeto de Resolução do PCdoB para seu 16º Congresso, em outubro. Mediado por Rosanita Campos, jornalista e membro do Comitê Central do PCdoB, o evento foi promovido pela Fundação Maurício Grabois, presidida por Walter Sorrentino, e transmitido ao vivo pela TV Grabois. A discussão “Crise do Capitalismo e da Globalização Neoliberal: Financeirização, Concentração de Poder, Big Techs e os Impactos das Transformações Tecnológicas” abordou os desafios do capitalismo global e suas profundas implicações para a soberania brasileira.
Na abertura, Walter Sorrentino destacou a relevância do congresso diante de um cenário de guerra híbrida e assimétrica movida pelos Estados Unidos contra o Brasil. Seu objetivo, segundo ele, é minar a soberania nacional, atacar os BRICS e impedir a regulamentação das Big Techs. Sorrentino resumiu o tom do debate com uma frase contundente: “Essa é uma guerra para arrancar o Brasil dos BRICS, que representam uma ameaça à hegemonia norte-americana, sobretudo em nosso continente, onde a América Latina é vista como o quintal dos Estados Unidos.”
A mesa, composta por Ergon Cugler, pesquisador do CNPq; Davidson Magalhães, economista, professor da Uneb e dirigente do PCdoB; Sergio Cruz, jornalista; e Luiz Gonzaga Belluzzo, economista e professor da Unicamp, analisou a guerra híbrida como uma estratégia dos EUA para conter a ascensão dos BRICS, com o Brasil como elo mais fraco. Sergio Cruz destacou a escalada de retaliações comerciais após a cúpula dos BRICS no Brasil, vistas como tentativas de desestabilizar o país. Davidson Magalhães contextualizou a ofensiva como parte da estratégia norte-americana para recuperar a supremacia perdida frente à Ásia, utilizando tarifas e pressões econômicas para subordinar o Brasil.
A perda do dinamismo do capitalismo
A financeirização do capitalismo foi apontada como um dos sintomas dessa crise. Luiz Gonzaga Belluzzo, com base na teoria marxista, explicou que a financeirização, marcada pelo “capital fictício”, distancia os ativos financeiros da produção real, contribuindo para a perda de dinamismo da economia americana. Davidson Magalhães revelou que o volume de derivativos financeiros (US$ 667 trilhões) supera em seis vezes o PIB global (US$ 110 trilhões), evidenciando a desconexão entre o setor financeiro e a economia produtiva. Essa dinâmica, segundo os debatedores, intensifica as desigualdades e enfraquece países periféricos como o Brasil, enquanto os EUA buscam manter sua hegemonia por meio de táticas de guerra híbrida.
A defesa da soberania é prioridade
A defesa da soberania brasileira foi destacada como prioridade. Sergio Cruz defendeu que o PCdoB mobilize a sociedade contra o bolsonarismo, visto como “traidor da pátria”, e apoie o governo Lula para enfrentar a ofensiva imperialista. Davidson Magalhães reforçou a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento que priorize a reindustrialização e a independência econômica. A guerra híbrida movida pelos EUA, segundo os debatedores, é uma resposta à perda de vigor de sua economia e à ameaça representada pelos BRICS, exigindo do Brasil uma resposta firme em defesa de sua soberania e de um novo paradigma de desenvolvimento.