Papa elogia “a esperança e a ação” dos povos da Amazônia

Em vídeo à COP30, Leão 14 diz que janela para limitar aquecimento a 1,5°C está se fechando e pede ação global imediata

Papa Leão 14 | Foto: Vatican Media/Simone Risoluti ­Handout

O Papa Leão 14 afirmou que “ainda há tempo de manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C, mas a janela está se fechando”, em mensagem divulgada em vídeo nesta segunda-feira (17). A fala foi dirigida às Igrejas particulares do Sul Global reunidas no Museu Amazônico de Belém (PA), por ocasião da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30).

Em tom de apelo direto aos líderes políticos, o pontífice enfatizou que não é o Acordo de Paris que está falhando, mas a falta de compromisso dos países. “Devemos ser honestos. Não é o acordo que está falhando. Nós é que estamos falhando em nossa resposta. O que está falhando é a vontade política de alguns.”

Leia também: Alckmin cobra passagem da “negociação para a implementação” na COP30

O Papa defendeu que a crise climática já atinge de forma dura parte significativa da população mundial. “A criação está clamando em enchentes, secas, tempestades e calor extremo. Uma em cada três pessoas vive em grande vulnerabilidade por causa dessas mudanças climáticas. Para elas, a crise climática não é uma ameaça distante.” Na mensagem, ele lembrou que ignorar esses grupos significa “negar nossa humanidade comum”.

Chamado à cooperação global

Ao saudar os participantes da COP30, o pontífice valorizou o protagonismo da região amazônica e dos países do Sul Global. “A região amazônica continua sendo um símbolo vivo da criação, com uma necessidade urgente de cuidado.” Ele destacou que esses povos escolheram “a esperança e a ação sobre o desespero”, construindo uma comunidade global que trabalha unida — mas alertou que “isso gerou progresso, mas não o suficiente”.

Leia também: Parlamentares aprovam na COP30 diretrizes para enfrentar crise climática

O Papa reforçou que a responsabilidade é coletiva e espiritual. “Como guardiões da criação de Deus, somos chamados a agir rapidamente, com fé e profecia, para proteger o dom que Ele nos confiou.”

Também pediu uma resposta clara dos governos, defendendo que ações climáticas mais firmes fortalecem economias e promovem justiça global. “A verdadeira liderança significa serviço e apoio em uma escala capaz de fazer diferença. Ações climáticas fortes são um investimento em um mundo mais estável e mais justo.”

Cooperação, não disputa

Leão 14 defendeu uma mobilização conjunta de países, cientistas, líderes religiosos e comunidades. “Somos guardiões da criação, não rivais pelos seus frutos. Enviemos juntos um sinal global claro: nações defendendo, com solidariedade inabalável, o Acordo de Paris e a cooperação climática.”

Ao final, pediu que o Museu Amazônico seja lembrado como o lugar onde “a humanidade escolheu a cooperação em vez da divisão e da negação”.

Confira a íntegra da mensagem abaixo:

Autor