Morte em operação do ICE gera protestos e eleva tensão nos EUA

Reação à política anti-imigratória se expande pelo país, expõe endurecimento do governo Trump e leva governador a autorizar preparação da Guarda Nacional estadual

Manifestantes se reúnem à noite em Minneapolis em vigília e protesto contra as operações do ICE, após a morte de uma mulher durante ação migratória, em meio à escalada repressiva do governo Trump. Foto: Reprodução

A morte de Renee Nicole Good por um agente do ICE, a polícia de imigração, provocou protestos em Minneapolis e em outras cidades dos Estados Unidos nesta quarta-feira (7).

A reação ocorre em meio à intensificação da ofensiva contra os imigrantes do governo Donald Trump, que ampliou a presença de agentes federais em cidades governadas por democratas.

Em Minneapolis, os protestos começaram ainda na noite de quarta, poucas horas após a confirmação da morte de Renee Nicole Good. 

Inicialmente, milhares de pessoas se reuniram nas imediações do local do tiroteio, no sul da cidade, para vigílias e atos contra a atuação do ICE. Manifestantes ocuparam ruas próximas, entoaram palavras de ordem contra a polícia imigratória e exibiram cartazes exigindo o fim das operações federais.

Em meio à concentração, agentes do ICE e das forças federais foram hostilizados e acabaram repelidos pela população, com registros de manifestantes arremessando bolas de neve em direção aos policiais. 

Em resposta, forças de segurança utilizaram spray de pimenta e gás lacrimogêneo para dispersar parte do protesto.

Com o avançar da noite, a mobilização diminuiu de milhares para algumas centenas de pessoas, concentradas em memoriais improvisados com velas, flores e mensagens em homenagem à vítima. 

A escalada da tensão levou autoridades estaduais e municipais a pedir repetidamente que as manifestações permanecessem pacíficas, diante do risco de agravamento do confronto.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou que uma das primeiras decisões da prefeitura foi exigir a retirada imediata dos agentes federais do local. 

“A prioridade foi retirar o ICE da cena. Havia dezenas, senão centenas, de agentes do ICE e de forças federais no local naquele momento. A presença deles só estava causando mais caos. Estar ali só tornava uma situação difícil ainda mais problemática — uma situação que, sim, foi criada por eles mesmos”, declarou.

O governador Tim Walz alertou que o governo federal poderia explorar qualquer escalada de confrontos como pretexto para ampliar a repressão e a presença militar na cidade, evocando o precedente dos protestos de 2020 após o assassinato de George Floyd, ocorrido a menos de dois quilômetros do local do novo episódio.

Walz afirmou que emitiu uma “ordem de alerta” para preparar a Guarda Nacional de Minnesota, explicando que há soldados em treinamento e prontos para serem mobilizados “se necessário”, ao mesmo tempo em que defendeu o direito à manifestação. 

“Quero que os habitantes de Minnesota ouçam isso diretamente de mim: o desejo de sair às ruas para protestar e dizer a esta administração o quão errada ela está é, neste momento, um dever patriótico, mas isso precisa ser feito com segurança”, afirmou.

“Eu sinto a sua raiva, eu também estou com raiva. Eles querem um espetáculo, não podemos dar isso a eles”, acrescentou Walz.

Protestos se espalham por outras cidades e ampliam pressão nacional contra o ICE

A reação à atuação do ICE ultrapassou as fronteiras de Minnesota e motivou manifestações em diferentes cidades dos Estados Unidos ao longo da quarta-feira, ampliando o desgaste político do governo Trump diante da ofensiva anti-imigratória em curso.

Em Nova York, centenas de pessoas se concentraram diante de um escritório do ICE em Lower Manhattan, onde protestaram contra as operações e denunciaram o uso de força letal por agentes federais. 

O ato contou com a presença de lideranças comunitárias e políticos locais, que alertaram para o aumento das batidas imigratórias.

Também houve mobilizações em Chicago, especialmente no bairro de Little Village, onde manifestantes exigiram o fim das ações do ICE em áreas residenciais e associaram a repressão imigratória à retórica de criminalização promovida pela Casa Branca.

Na Califórnia, atos e vigílias ocorreram em cidades como Altadena, com moradores exibindo cartazes contra a atuação da polícia imigratória e cobrando responsabilização dos agentes envolvidos. Registros de protestos semelhantes circularam nas redes sociais em outros centros urbanos, indicando uma resposta coordenada da sociedade civil.

Organizações de direitos civis e autoridades locais passaram a tratar os protestos como parte de uma reação nacional à escalada das operações do ICE, apontando o episódio em Minneapolis como símbolo dos riscos impostos pela política de endurecimento adotada pelo governo Trump.

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