Equador: Noboa rasga plebiscito e amplia alinhamento aos EUA

Acordos são apresentados como ação contra o narcotráfico, enquanto o governo norte-americano define o Equador como parceiro estratégico

Autoridades do governo do Equador posam ao lado de representantes dos Estados Unidos durante reunião oficial em Quito. Foto: Reprodução

O governo do presidente equatoriano, Daniel Noboa, se reuniu neste domingo (25), em Quito, com representantes da Casa Branca para avançar em acordos de cooperação que preveem “apoio militar” dos Estados Unidos.

A iniciativa amplia a presença norte-americana no país e se insere no avanço de governos de extrema direita da região no alinhamento estratégico com Washington.

Segundo comunicado divulgado pela Chancelaria do Equador, a reunião ocorreu com Joseph M. Humire, subsecretário adjunto do Departamento de Defesa dos Estados Unidos para Assuntos do Hemisfério Ocidental. O órgão disse que o encontro reafirmou o “firme compromisso” entre os dois países e classificou o Equador como um “sócio estratégico” de Washington na região.

A delegação equatoriana foi chefiada pela chanceler Gabriela Sommerfeld e contou com a presença dos ministros da Defesa, Gian Carlo Loffredo, e do Interior, John Reimberg, além de outros integrantes do gabinete de segurança. 

Segundo a Chancelaria, as conversas se deram no marco da cooperação bilateral em “segurança” e no combate ao crime organizado transnacional.

O encontro ocorre meses depois de a presença militar norte-americana ter sido submetida e rejeitada pelo voto popular.

Em novembro do ano passado, um referendo e uma consulta popular rejeitaram a reativação de bases militares estrangeiras no território equatoriano, incluindo instalações controladas pelos Estados Unidos. O resultado foi lido como uma negativa à ampliação da presença militar norte-americana no país.

Após o encontro, autoridades equatorianas destacaram a disposição dos Estados Unidos em ampliar o apoio ao país nas áreas de controle do narcotráfico e do crime organizado, com foco em portos, aeroportos e fronteiras. 

Em declarações públicas, o ministro do Interior, John Reimberg, afirmou que pessoas ou grupos que tentarem utilizar a infraestrutura portuária equatoriana para atividades ilícitas “vão ser atacados”.

O governo equatoriano sustenta que os acordos não implicam violação da soberania nacional. 

Em nota, a Chancelaria afirmou que Equador e Estados Unidos ratificaram o compromisso de aprofundar a relação bilateral por meio de mecanismos de cooperação que respeitem a Constituição e as particularidades institucionais do país.

Mesmo sem mencionar bases ou presença permanente de tropas, o fortalecimento da cooperação militar ocorre em um contexto regional marcado pelo reposicionamento de governos de extrema direita alinhados à agenda de segurança dos Estados Unidos, sob o argumento do combate ao crime organizado. Esse movimento tem impactos diretos sobre a política de defesa e a autonomia estratégica dos países envolvidos.

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