Guerra dos EUA contra Irã vira pressão sobre China e trava cúpula

Presidente dos EUA condiciona encontro com Xi à posição chinesa no Estreito de Ormuz e depois alega guerra para adiar visita após rodada de negociações em Paris

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A escalada da guerra de agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã passou a interferir nas negociações entre Washington e Pequim e deve adiar a cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump, prevista para o fim de março.

A possibilidade de adiamento foi levantada pelo próprio Trump ao comentar sua agenda internacional em meio à guerra. 

Trump afirmou que prefere permanecer em Washington para acompanhar o conflito contra o Irã, indicando que a viagem à China pode não ocorrer no prazo inicialmente previsto. “Eu adoraria ir, mas por causa da guerra, quero estar aqui”, disse, ao justificar a decisão.

A declaração ocorreu após o próprio presidente dos Estados Unidos ter condicionado o encontro à posição chinesa diante da crise no Estreito de Ormuz. 

Em entrevista, ele disse que gostaria de saber se Pequim participaria de iniciativas para garantir a circulação de navios na região e chegou a sugerir que a resposta poderia influenciar a realização da cúpula. “Gostaríamos de saber antes disso. Duas semanas é muito tempo”, afirmou, antes de acrescentar: “Podemos adiar”.

As falas foram feitas no momento em que Estados Unidos e China mantinham, em Paris, uma rodada de negociações comerciais que vinha sendo tratada como preparatória para o encontro entre os dois líderes. 

As conversas ocorreram na sede da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e foram conduzidas pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

O primeiro dia de reuniões terminou sem anúncios públicos, com as delegações deixando o local sem falar com a imprensa. Segundo relatos de agências internacionais, o clima foi descrito como “estável”, ainda que sem avanços concretos divulgados.

Apesar do caráter reservado, fontes próximas às negociações indicaram que os dois lados discutiram temas como comércio agrícola, investimentos e fornecimento de minerais estratégicos. 

Entre os pontos mencionados está a possibilidade de ampliação das compras chinesas de produtos agropecuários dos Estados Unidos, além do acesso a insumos considerados essenciais para cadeias industriais de alta tecnologia.

Também foram debatidos mecanismos institucionais para administrar disputas comerciais e investimentos entre as duas maiores economias do mundo, incluindo a eventual criação de estruturas permanentes para tratar dessas questões.

Enquanto essas discussões avançavam, a posição norte-americana em relação ao Estreito de Ormuz introduziu um novo fator de tensão na relação bilateral. A região, por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado no mundo, tem sido impactada pela escalada militar, com restrições impostas pelo Irã a embarcações ligadas aos Estados Unidos e seus aliados.

Do lado chinês, a resposta às declarações de Trump foi marcada pela cautela de sempre da diplomacia do país. 

Questionado sobre a possibilidade de adiamento da cúpula, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou que “China e Estados Unidos permanecem em comunicação sobre a visita do presidente Trump à China, incluindo as datas”, sem confirmar mudanças no cronograma.

A sequência dos acontecimentos ocorre no momento em que os dois países buscavam consolidar uma trégua comercial após meses de agressões tarifárias unilaterais da Casa Branca. 

A rodada de Paris era tratada como etapa importante para preparar o encontro entre Xi e Trump e avançar na gestão das divergências econômicas.

Com a guerra no Irã passando a influenciar diretamente a agenda diplomática, a realização da cúpula deixa de depender apenas dos resultados das negociações comerciais e passa a ser condicionada também aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

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