Até o “Fantástico” se rende à eficiência do planejamento estatal chinês

Historicamente alinhada aos EUA, Globo reconhece superioridade da China na execução de obras mais baratas, rápidas e tecnológicas

O vasto salão de embarque da Estação Hongqiao, concluída em apenas dois anos (2008-2010), com 1,3 milhão de metros quadrados.

Nem a TV Globo, a “Vênus Platinada”, historicamente alinhada ao receituário liberal e à exaltação do “american way of life“, conseguiu ignorar a realidade material dos fatos. Em reportagem exibida pela emissora no domingo (26), o Fantástico foi forçado a admitir: quando o assunto é infraestrutura e desenvolvimento, a China não apenas ultrapassou os Estados Unidos, como o faz de forma mais barata, rápida e eficiente.

A série especial “Entre Dois Mundos” promoveu um choque de realidade ao comparar Xangai e Nova York. O que se viu foi o reconhecimento — vindo de uma emissora declaradamente favorável ao mercado — de que o planejamento estatal e os planos quinquenais de um sistema socialista renovado entregam resultados que o pragmatismo cego do setor privado ocidental não consegue mais alcançar.

O contraste é quase irônico. Enquanto os EUA se perdem em décadas de burocracia, disputas políticas e orçamentos que estouram em bilhões de dólares, a China executa obras complexas com a precisão de quem segue um roteiro estratégico de longo prazo. O exemplo do trem Maglev em Xangai, construído em apenas três anos por US$ 1,2 bilhão, deixou em evidência o atraso de Nova York, que gastou quase o dobro para uma ligação de 13 km lenta e ineficiente.

O triunfo do planejamento sobre o imediatismo

A reportagem admitiu que o segredo chinês reside na “velocidade, escala e planejamento”. O que se descreveu, em termos práticos, foi a superioridade do modelo de planejamento centralizado. Na China, os projetos são tratados como prioridade nacional.

A Estação Hongqiao, um titã de 1,3 milhão de metros quadrados erguido em apenas dois anos, serve como monumento a essa eficácia. Em contrapartida, a icônica Penn Station, em Nova York, amarga décadas de promessas e reformas que parecem nunca sair do papel. A rede de metrô de Xangai, iniciada quase cem anos depois da novaiorquina, já é o dobro da extensão da rival americana, provando que o “atraso” chinês ficou em um passado remoto.

Socialismo renovado e metas reais

O êxito exposto pela TV Globo coincide com o início do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), que foca na modernização da infraestrutura e na inovação tecnológica. O primeiro-ministro Li Qiang destacou, em março (12), que o foco agora são as “novas forças produtivas”.

Diferentemente do modelo ocidental, onde a infraestrutura depende da boa vontade de investidores e lucros imediatos, o sistema chinês aloca recursos massivos via Estado. Li Chao, da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), confirmou em dezembro (31) do ano passado a destinação de 295 bilhões de yuans para quase mil projetos prioritários só para este ano. Até mesmo o conceito de “cidades-esponja”, que integra ecologia e engenharia, coloca a China décadas à frente na resiliência climática urbana.

Ao fim da matéria, o que restou para a audiência brasileira foi a constatação de que, diante dos números e da velocidade das obras, até a narrativa pró-mercado teve que se curvar à eficácia do modelo de desenvolvimento socialista chinês. É fantástico!