Israel desafia acordo entre EUA e Irã e volta a atacar o sul do Líbano
Bombardeios e ataques com drones ocorreram horas após anúncio de entendimento que prevê o fim das operações militares em todas as frentes, incluindo território libanês
Publicado 15/06/2026 10:26 | Editado 15/06/2026 18:58
Menos de 24 horas após o anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra iniciada em fevereiro, Israel voltou a atacar o sul do Líbano e colocou em dúvida um dos pontos centrais do entendimento negociado entre Washington e Teerã.
Segundo a agência estatal libanesa NNA, forças israelenses realizaram ataques com drones, bombardeios de artilharia e explosões em diferentes localidades do sul do país na manhã desta segunda-feira (15).
Um drone israelense atingiu um veículo na cidade de Kfar Tebnit. A imprensa libanesa relatou feridos. Atilharia israelense também bombardeou Kfar Tebnit e Nabatieh al-Fawqa.
Outros ataques foram registrados em Khiam, Haris, Markaba e Majdal Zoun. Segundo relatos divulgados por veículos regionais, o Exército israelense também detonou um veículo blindado carregado de explosivos em uma estrada próxima à cidade de Tiro.
As ações ocorreram apesar do memorando de entendimento anunciado por Estados Unidos, Irã e Paquistão, que prevê o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes do conflito, incluindo o Líbano.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que o texto final das negociações estabelece o fim da guerra e das operações militares em toda a região. O documento deverá ser assinado oficialmente na Suíça no próximo dia 19.
Durante as negociações, Teerã insistiu que a situação do Líbano não poderia ser tratada separadamente do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A interrupção dos ataques israelenses tornou-se uma das exigências centrais apresentadas pela diplomacia iraniana.
O ministro das relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que cabe aos Estados Unidos garantir a implementação do acordo e assegurar o fim das agressões israelenses contra o território libanês.
A continuidade dos ataques coloca pressão imediata sobre Washington.
O entendimento anunciado pela Casa Branca foi apresentado como um marco para encerrar a guerra regional, mas a ofensiva israelense indica que um dos principais aliados dos Estados Unidos não demonstra disposição de seguir integralmente os termos negociados.
Segundo o jornal israelense Yedioth Ahronoth, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu informou a Donald Trump que Israel não se considera vinculado às cláusulas referentes ao Líbano presentes no acordo firmado entre Washington e Teerã.
A declaração reforça as divergências entre os governos dos Estados Unidos e de Israel que já haviam aparecido durante as negociações.
Enquanto Washington buscava um entendimento que permitisse encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, o governo Netanyahu insistia na manutenção da liberdade de ação militar em território libanês.
Autoridades libanesas receberam positivamente o acordo. O presidente do Parlamento, Nabih Berri, classificou como fundamental a inclusão de uma cláusula que exige o fim da agressão israelense e a preservação da soberania do Líbano.
Para a população do sul libanês, contudo, o anúncio ainda não produziu efeitos concretos.
Enquanto milhares de famílias aguardam condições seguras para retornar às áreas atingidas pela guerra, os bombardeios desta segunda-feira demonstram que a implementação do acordo dependerá da capacidade dos Estados Unidos de impor seu cumprimento também a Israel.